Uerj tem futuro indefinido
Se greve terminar hoje, universidade não tem condições de retornar atividades integralmente

Por Marcela Freitas
Prestes a completar quatro meses de greve, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) vive uma das maiores crises de sua história. Com um débito com fornecedores que já supera R$ 150 milhões, a universidade não teria como retornar às atividades, mesmo que a greve termine.
A situação preocupa funcionários e alunos, que não têm perspectivas, já que o governo do estado não dialoga com a universidade sobre os custeios com a educação. No campus da Faculdade de Formação de Professores (FFP), que fica no Paraíso, em São Gonçalo, as salas vazias e a pouca movimentação de funcionários destoavam, na manhã de ontem, do ambiente estudantil. Sem funcionários para a limpeza, a capina do local acontecia graças a um acordo feito com a Prefeitura de São Gonçalo, que realizou o serviço em uma contrapartida para a utilização de espaço da universidade para um evento.
Reitoria – Em maio deste ano, o reitor Ruy Garcia Marques publicou um artigo sobre as dificuldades para fazer a universidade funcionar. “Determinados serviços, como limpeza, manutenção, coleta de lixo, restaurante universitário e vigilância, dentre outros, nos campi da universidade são executados por funcionários de empresas especializadas, contratadas por meio de licitação pública. O governo não pagou em 2016 a nenhuma dessas empresas e ainda há muitas dívidas dos serviços prestados em 2015. O débito com fornecedores já supera R$ 150 milhões”, descreveu. Em outro trecho, o reitor afirma que a universidade não terá as condições mínimas para receber integralmente os seus alunos. Funcionários – A mesma opinião é compartilhada por um professor de geografia, que leciona em São Gonçalo. “A situação é complicada. O governo se recusa a dialogar. A única discussão no momento é referente ao plano de cargos e salários. Sem negociação, não há perspectivas. Se as aulas voltassem hoje, sem o retorno dos funcionários de manutenção, em uma semana, a situação seria insustentável”, explicou.
Os funcionários da Uerj São Gonçalo contam que alunos e professores da Pós-Graduação, os únicos que estão indo ao campus devido a financiamentos de pesquisas, estão fazendo um mutirão da limpeza para manter o mínimo de asseio e higiene em salas de aula e banheiros. “Já passamos alguns problemas, mas em 26 anos trabalhando aqui, nunca vi uma situação assim. Temo o que possa acontecer ainda de pior, já que o cenário é o caos completo”, disse um funcionário administrativo.
Alunos – Aluno de Geografia, Pedro Rebello, de 25 anos, disse que a universidade está mergulhado no caos. “Em tese, eu concluiria o curso no fim deste ano, mas em 2016 tivemos apenas uma semana de aula. Depois da greve de 2012, a perspectiva era regularizar as aulas este ano, mas isso não aconteceu. A situação ainda é pior para os alunos que ingressaram na universidade este ano”, afirmou.
Indefinição – Em nota, a assessoria de imprensa da Uerj informou que a universidade não corre o risco de encerrar suas atividades. Caso a greve termine hoje, a universidade deverá continuar o processo de negociação com as instâncias superiores do governo do Estado para garantir os pagamentos dos serviços. O calendário acadêmico será revisto a partir do fim da greve.