Importação de cannabis por brasileiros bate recorde em 2025, com quase 200 mil autorizações
Volume é o maior desde a liberação da compra de medicamentos à base de cannabis no exterior pela Anvisa

A importação de cannabis medicinal por brasileiros alcançou um novo recorde em 2025. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram que foram concedidas 194.682 autorizações para a compra desses produtos no exterior ao longo do ano, um crescimento de 16,3% em comparação com 2024 e o maior volume registrado desde o início da série histórica.
As informações fazem parte de um levantamento realizado pela Cannect, referência nacional em tratamentos com cannabis medicinal, suplementos e terapias integrativas, com base em dados obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) junto ao governo federal.
O maior pico de autorizações ocorreu em outubro, quando a Anvisa emitiu 19.710 permissões para importação de cannabis. Entre os produtos mais importados pelos pacientes brasileiros estão óleos e extratos ricos em CBD, formulações full spectrum, cápsulas e novas apresentações orais, como gummies, que vêm ganhando espaço no mercado nos últimos anos.
Desde 2015, quando a Anvisa passou a autorizar a importação de cannabis medicinal por meio de uma resolução, atualmente regulamentada pela RDC 660, o número de permissões tem crescido de forma consistente. Naquele ano, foram registradas apenas 850 autorizações. Em 2024, o total chegou a 167.337.
Esse avanço está diretamente relacionado ao crescimento da comunidade de médicos e dentistas, que vem ampliando o uso terapêutico da cannabis, reconhecida como um ativo relevante no tratamento de diferentes condições de saúde, sobretudo doenças crônicas. Entre as principais indicações estão dor crônica, ansiedade, distúrbios do sono, transtorno do espectro autista (TEA), Parkinson e epilepsia, entre outras.
Segundo Allan Paiotti, CEO da Cannect, os números refletem uma transformação estrutural no acesso à cannabis medicinal no Brasil. “Os dados mostram que a cannabis deixou de ser uma alternativa marginal e passou a ocupar um espaço mais consolidado na prática clínica. O crescimento das autorizações indica um amadurecimento do mercado e uma maior confiança por parte de médicos e pacientes, com perspectivas de expansão responsável, mais opções terapêuticas e segurança no uso”, afirma.
Em setembro de 2023, quando entrou em vigor a proibição da Anvisa para a importação de flores de cannabis, houve uma retração temporária no número de autorizações, já que esses produtos representavam uma parcela relevante do consumo no país. No entanto, o impacto foi passageiro. Com a diversificação das formas de administração, incluindo óleos, cápsulas e comestíveis, a importação de cannabis voltou a crescer, registrando sucessivos recordes.
Importação versus compra no mercado nacional
Atualmente, a importação de cannabis medicinal é o principal mecanismo de acesso para pacientes no Brasil. O processo exige prescrição de um profissional de saúde habilitado e a obtenção de uma autorização excepcional da Anvisa, válida por dois anos. Essa permissão possibilita a importação do produto indicado na receita, em quantidade compatível com o tratamento prescrito.
“A RDC 660/2022 estabelece as regras para a importação de cannabis de uso pessoal, com autorização individual do paciente. Esse modelo é diferente do previsto na RDC 327/2019, que regulamenta os produtos de cannabis fabricados ou comercializados no Brasil e disponíveis para venda em farmácias e drogarias”, explica Paiotti.
Crescimento da emissão de autorizações para importação de produtos à base de cannabis no Brasil mês a mês (2025)
Janeiro: 14.045
Fevereiro: 14.554
Março: 14.485
Abril: 15.771
Maio: 17.156
Junho: 14.303
Julho: 16.312
Agosto: 15.834
Setembro: 16.955
Outubro: 19.710
Novembro: 18.570
Dezembro: 16.687