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Cerveja ‘caseira’ em alta em SG

Grupo de cervejeiros artesanais forma confraria e prepara grande evento na cidade em agosto

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 04 de julho de 2016 - 14:30
Os cervejeiros artesanais tratam a bebida como produto refrescante para ser melhor apreciado
Os cervejeiros artesanais tratam a bebida como produto refrescante para ser melhor apreciado -

Por Matheus Merlim

Que a cerveja é uma das bebidas mais indispensáveis para o brasileiro, disso não há dúvidas. Não é à toa que o Brasil é o terceiro maior produtor da “gelada” no mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da China, de acordo com dados do Sistema de Controle de Produção de Bebidas da Receita Federal (Sicobe). Mas, correndo na contramão das cervejarias tradicionais, os produtores caseiros têm crescido em São Gonçalo. Exaltando a criatividade e possibilitando experiências sensoriais mais complexas, os chamados “cervejeiros artesanais” pretendem colocar, em breve, o município na rota de destaque do Estado.

Hoje, no Rio de Janeiro, apenas duas regiões são conhecidas pela fabricação de cervejas artesanais: a Região Serrana (Petrópolis, Teresópolis e Friburgo) e a própria capital. Em Niterói, o movimento já é um pouco mais antigo do que em São Gonçalo, e eventos dessa natureza são mais constantes e mais populares. Porém, para deslanchar de vez a cultura caseira em território gonçalense, três cervejeiros da cidade se juntaram para formar a “Confraria Gonçalense de Cerveja Artesanal”. “A produção de cervejas artesanais em São Gonçalo existe há muitos anos, mas era muito dispersa. Os cervejeiros caseiros não se conheciam e acabavam tendo que trocar experiências fora da cidade. Nosso objetivo com a confraria é aproximar os conhecimentos de cada um, afim de fomentar a cultura e o mercado local”, explica o biólogo Manuel Félix, de 52 anos, que fundou a Confraria junto com Juarez Lessa, o JLessa, 36, e João Pedro Bonadiman, 23.

Apesar dessa atual unificação dos cervejeiros caseiros, cada um mantém o próprio nome. JLessa é um dos donos da Cervejaria Dois Lados, na companhia do comerciante Ricardo Alexandre, 40, e o economista Pablo Nunes, 30. Para o analista de sistemas, morador do Bairro Antonina, a complexidade sensorial dos sabores artesanais é o que diferencia a cultura de produção caseira dos tradicionais rótulos do mercado.

“A publicidade de cervejas, por muito tempo, massificou os consumidores a tratarem a bebida como produto refrescante, e não gastronômico. Por isso, a gente tenta mudar essa cultura, partindo do slogan: beba menos, beba melhor. Assim, a pessoa pode apreciar melhor os sabores”, explica JLessa.

Para celebrar essa expansão de mercado, a Cervejaria Dois Lados promoverá, no dia 13 de agosto, o “IPADAY”. O evento será realizado no bar The Souzas, no Mutuá.

Bebida ‘gastronômica’ 

Embora os números comprovem a popularidade da cerveja no Brasil, o olhar preconceituoso ainda insiste em pairar sobre a bebida. Para os cervejeiros caseiros, a maior batalha é conseguir que a arte seja tratada também como gastronomia. Saber a dosagem e o tipo certos de malte, cevada e lúpulo para produzir uma determinada linha de cerveja é tão complexo quanto produzir um prato “gourmet”.
“Costumamos trabalhar com receitas preestabelecidas. Mas nem sempre sai como imaginamos. Posso começar a produção pensando em fazer uma Pilsen, mas na hora apostar no amargor e mudar completamente a fórmula. A interpretação e a criatividade de cada cervejeiro é o que torna a cerveja mais gostosa”, conta Manuel Félix, produtor há mais de oito anos.
Já o sommelier JLessa, de 36 anos, acredita que o movimento crescente da cultura artesanal tem quebrado paradigmas. Sobretudo, agora, que a cerveja passou a ser tratada com bons olhos, assim como em outros países, a exemplo da Alemanha.
“A visão da cerveja como bebida simplesmente alcoólica, para embriagar o consumidor, é passado. Com esse avanço na produção, as pessoas já começaram a observar a bebida como uma arte gastronômica”, explica.

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