Agora só faltam os empregos
Mulher que ficou em coma por causa do H1N1 e o marido precisam de trabalho para retomar rotina

Por Renata Sena
Depois de 45 dias em coma, 60 no total de internação por conta da H1N1 e finalmente em casa com o filho nos braços, a gerente de Recursos Humanos e moradora de São Gonçalo, Andreia Mara Vasconcelos, de 29 anos, vive outro drama com o marido, o eletricista Aldenir Silva, 37: ambos conseguirem um novo emprego. Atualmente, a família não possui nenhuma renda e tem recebido doações de amigos e pessoas que se comoveram com o caso e ajudam para a compra do leite especial para o pequeno Jonathan. Cada lata chega a custar R$ 40.
“Andreia foi demitida pouco antes de descobrir a gravidez. Só eu estava trabalhando e acabei sendo mandado embora. Demorei muito para receber os documentos que permitiam que eu desse entrada no seguro-desemprego e agora que estou com eles não consigo agendar para dar entrada no benefício”, contou Aldenir que no período de internação da mulher e do filho ainda vivenciou a difícil perda do pai.
Mas se engana quem pensa que todos esses desafios tiram a fé e o sorriso do casal. “Sabemos que tudo tem um propósito e estamos pensando em escrever um livro para contar nossa história de vitória”, revelou Aldenir.
Aldenir vai além. Para ele, não existe outra definição senão milagre para o final feliz. “Não tem como usar outras palavras que não sejam milagre e gratidão. Todos os dias agradeço a Deus por tudo. Agradeço por escolher minha família para conceber o milagre e permitir que possamos proclamar o nome do Senhor”, declarou emocionado. Andreia também relata a emoção desde a concepção do seu segundo filho e primeiro do casal. “Jonathan foi um milagre desde a concepção. Sofria com dois ovários policísticos e estava fora do que poderia ser o período fértil. Não planejávamos um filho, já que tenho um e meu marido tem três de outra relação. Quando questionamos a gravidez, não tivemos explicações médicas e escutamos que era milagre. Quando o restou aconteceu, mesmo inconsciente, sabia que não podia deixar meus filhos sem mãe. Quando acordei do coma, pude sentir a comoção das pessoas e sou muito grata. Ao receber alta, agradeci a todos do hospital que participaram da minha recuperação. Não poderia ser diferente”, relatou Andreia.