Médico é demitido acusado de cometer atos racistas contra paciente no Jardim Catarina
Profissional trabalhava na Unidade Municipal de Saúde da Família Jardim Catarina I. Outro médico já ocupou a função

Um médico da Unidade Municipal de Saúde da Família Jardim Catarina I, localizada no bairro Jardim Catarina, em São Gonçalo, foi demitido após ser acusado de cometer atos de racismo contra uma paciente. O caso ocorreu na última quinta-feira (12).
De acordo com a vítima, o atendimento transcorria normalmente até o momento em que foi chamada para a consulta. Segundo ela, o médico tratou os pacientes atendidos anteriormente de forma cordial, mas passou a agir de maneira diferente quando chegou sua vez.
Inicialmente, a paciente afirmou ter interpretado a conduta do profissional como falta de educação. No entanto, a situação se agravou após comentários feitos sobre seu cabelo.
“Eu vi as pessoas sendo atendidas na minha frente normalmente. Elas entravam, fechavam a porta e depois saíam da sala, fechando a porta. Na minha vez, quando fechei a porta, ele disse que não era para fechar porta nenhuma. Quando puxei a cadeira para sentar, ele também reclamou. Por fim, ao explicar que eu queria cuidar da minha saúde aproveitando as férias, ele disse: ‘Só porque está de férias você não penteia esse cabelo’”, relatou a vítima.
Após o comentário considerado preconceituoso, o médico, com a porta do consultório aberta, teria passado a questionar a vida sexual da paciente, após ela solicitar exames para avaliar sua saúde.
“Eu já fiz cirurgia bariátrica, então sempre faço exames para acompanhar as taxas no sangue. Também pedi exames para infecções sexualmente transmissíveis, e foi quando ele começou a questionar se minha vida sexual era ativa e se eu estava tendo relações”, contou.
Constrangida com a situação, uma enfermeira entrou no local e repreendeu o médico, pedindo para ele atender a paciente com a porta fechada, resguardando sua intimidade.
Ainda segundo a vítima, durante o atendimento, o médico seguiu lidando de forma desrespeitosa, pedindo repetidamente que ela se levantasse para abrir e fechar a porta sempre que ele precisava chamar a enfermeira.
A paciente registrou uma reclamação ainda na unidade de saúde. Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil de São Gonçalo informou que não compactua com casos de racismo. O profissional foi demitido e outro médico passou a atender no local.
A vítima foi até a delegacia local nesta segunda-feira (12), onde recebeu orientações de como agir.