Paciente com câncer de mama enfrenta infecção grave e aguarda internação pelo Sisreg
Ela aguarda internação enquanto quadro clínico se agrava

Moradora de Nova Iguaçu, Maria Elza Oliveira da Silva, 66, diagnosticada com câncer de mama há cerca de dois anos enfrenta uma situação crítica de saúde enquanto aguarda, na fila do Sistema Nacional de Regulação (Sisreg), a internação necessária para tratar uma infecção grave na mama. Segundo a família, a paciente não consegue acesso ao atendimento adequado, apesar da piora do quadro clínico e das sucessivas idas a unidades de saúde.
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A longa trajetória de espera e encaminhamentos sem solução vêm desde o diagnóstico.
"Estou há quase dois anos nesse processo. Fiquei quase um ano na fila do Sisreg. Depois me encaminharam para Nova Iguaçu, mas lá não havia o medicamento, então fui transferida para o Hospital Mário Kroeff. Lá iniciei o tratamento: já fiz a terapia vermelha e a branca, atualmente faço o tratamento hormonal. Todos os meus exames já estão prontos, mas ainda não consegui retorno".
Ainda de acordo com a paciente, após a biópsia, a mama passou a apresentar uma inflamação extensa, e na última semana, começaram a surgir larvas no local infeccionado, mesmo com uso contínuo de antibióticos há mais de um ano.
Ela procurou o hospital onde realiza o tratamento oncológico no último dia 29 de dezembro com fortes dores e fisgadas na mama. Após passar o dia inteiro aguardando atendimento, recebeu prescrição de antibiótico, anti-inflamatório e analgésico, sendo liberada para casa.
A situação se agravou dois dias depois, quando, ao retirar o curativo durante o banho, percebeu a presença de larvas na ferida.
“Quando puxei o curativo, estava cheio de bicho. Voltei no médico, fui em hospital, fui na UPA, e ninguém me atendeu”, contou.
Ela afirma que, desde então, percorreu diferentes unidades de saúde, incluindo hospital, UPA e clínica da família, mas encontrou portas fechadas ou ausência de profissionais. Em uma das unidades, recebeu apenas um medicamento oral e uma pomada, sendo orientada a procurar outro local.
Somente na sexta-feira seguinte, após insistir para não deixar a unidade sem atendimento, a paciente conseguiu que fosse feita a limpeza da ferida.
“Eu falei: só vou sair daqui quando vocês fizerem a limpeza no meu peito, porque eu não tenho como tirar os bichos”, disse.
Ainda segundo o relato, havia apenas um médico de plantão no hospital, que contou com o apoio da equipe de enfermagem para realizar o procedimento.
Cirurgia ainda sem data marcada
Mesmo após o episódio, a cirurgia ainda não foi marcada. A paciente tem consulta agendada com a mastologista apenas para o dia 3 de fevereiro, quando deverá ser avaliada para possível encaminhamento cirúrgico.
A família pede urgência na internação e no tratamento da infecção, alertando para o risco à vida da paciente e para a demora no acesso ao atendimento pelo sistema de regulação.
Contatada pela reportagem, a Secretaria de Saúde não encaminhou resposta oficial sobre o caso.