Janeiro dos desafios: movimento coletivo propõe 15 dias sem açúcar e aposta em hábitos mais saudáveis
Um dos exemplos mais conhecidos é o 'Janeiro Seco', desafio mundial que propõe ficar 31 dias sem consumir bebidas alcoólicas

Janeiro é tradicionalmente o mês das promessas. Passadas as festas, cresce a busca por mudanças de hábitos que simbolizem um recomeço, seja na alimentação, na relação com o corpo ou na saúde mental. Nesse contexto, movimentos coletivos ganham força e se espalham pelas redes sociais, pelos grupos de amigos e em ambientes de trabalho.
Um dos exemplos mais conhecidos é o Janeiro Seco, desafio mundial que propõe ficar 31 dias sem consumir bebidas alcoólicas. A iniciativa, além de chamar atenção para os impactos físicos da abstinência, também tem sido associada a benefícios emocionais, como melhora do humor, mais disposição, maior clareza mental e redução de sintomas de ansiedade. O sucesso da proposta abriu espaço para que outras metas semelhantes surgissem, adaptadas a diferentes realidades e necessidades.
Entre elas, desafios relacionados à alimentação têm se destacado, especialmente a redução ou eliminação do consumo de açúcar por períodos determinados. A proposta vai além da estética ou da perda de peso e passa a ser encarada como uma estratégia de autocontrole, consciência corporal e saúde a longo prazo.
Foi assim que a fisioterapeuta e analista do comportamento Jéssica Sodré Braga Pinheiro, de 34 anos, decidiu lançar um desafio coletivo no início do ano. Após 15 anos de prática regular de exercícios físicos, ela conseguiu, pela primeira vez, ficar 30 dias consecutivos sem açúcar. A experiência a motivou na criação de um desafio com duração menor, mas com adesão expressiva.

“Eu falei do meu desafio pessoal nas minhas redes sociais, e quando contei que ia repetir em janeiro, 41 pessoas, por livre e espontânea vontade, aceitaram o desafio de ficar 15 dias sem doce e resolveram embarcar comigo”, contou Jéssica, que criou um grupo de WhatsApp para o grupo trocar experiência, dificuldade e impulsionar um ao outro.
Segundo ela, a iniciativa nasceu a partir de uma mudança pessoal profunda, provocada pelo diagnóstico de lipedema, recebido em 2025. “Foi quando entendi o quanto o açúcar é inflamatório dentro dessa condição. A mudança de hábito veio como consequência desse entendimento, e o resultado confirmou tudo aquilo que meu corpo já tentava me mostrar”, relatou a jovem que é mãe de um menino de 5 anos.
Além dos impactos físicos, Jéssica destaca que a retirada do açúcar também trouxe efeitos importantes no campo emocional. “Depois da primeira experiência, ficou claro para mim o quanto a dependência do açúcar também me afetava psicologicamente. As pessoas reparam no corpo, que de fato mudou nesse período, mas internamente o efeito foi ainda maior”, afirmou. Entre os benefícios percebidos, ela cita mais controle sobre os impulsos, melhora no condicionamento físico e até o tão sonhado para muitas pessoas, resultados estéticos. “A definição fica mais evidente”, contou.
Para a fisioterapeuta, o mês de janeiro funciona como um catalisador dessas decisões coletivas. “Acredito que muitas pessoas aceitaram o desafio também pelo início do ano ser naturalmente motivador e por estarmos vivendo uma fase mais voltada à saúde”, avalia.

Para a psicóloga Brunna Devillart, janeiro traz essa sensação de recomeço, mas é preciso criar metas reais para que os planos não gerem frustrações. “As pessoas enxergam o mês de janeiro como se fosse uma virada de página real, com a sensação de recomeço. Uma possibilidade de escrever uma nova história, criar novas metas. Mas é preciso ter cuidado e estabelecer objetivos possíveis de serem cumpridos para que haja sucesso. Pensar em metas irreais só gera frustração. Por isso, muitas pessoas focam em movimentos de curtos períodos sem beber ou sem consumir açúcar, por exemplo. São metas alcançáveis, que podem gerar novos hábitos ao longo de todo o ano.”