Formação com ‘sotaque’ de fora
Com o mercado de trabalho cada vez mais “afunilado”, o jeito é se especializar ao máximo para conseguir a vaga pretendida. Nas últimas duas décadas, tornou-se fundamental aprender pelo menos uma língua estrangeira, sobretudo o inglês. Mas para se diferenciar dos demais concorrentes, estudantes têm procurado experiências em outro país, o intercâmbio.
De acordo com uma pesquisa da Belta (“Brazilian Educational & Language Travel Association”, em inglês), nos últimos 10 anos, a procura por intercâmbio cresceu 600%. Segundo o levantamento, em 2003, eram 34 mil brasileiros estudando fora, em 2013, a quantidade aumentou para 202 mil intercambistas. No ano seguinte, em 2014, a faixa de estudantes no exterior ultrapassava os 240 mil.
O estudo apontou ainda que os lugares mais procurados para intercâmbio são: Estados Unidos, Reino Unido, Irlanda, Austrália e Canadá. A modelo Bárbara Thuler, de 23 anos, é um exemplo desta estatística. Ela, que morou durante seis meses do ano passado em Sydney, na Austrália, acredita que tudo que sabe sobre inglês aprendeu durante a viagem.
“Cheguei lá sem falar absolutamente nada e, hoje, trabalho numa empresa como bilíngue”, conta.
A experiência na Oceania foi tão marcante na vida da gonçalense, que ela já faz planos para retornar ao país. A princípio, de acordo com Bárbara, a ideia é voltar no começo de 2017 para fazer um curso técnico. “Daqui a cinco anos, definitivamente, me vejo na Austrália, trabalhando, fazendo faculdade e sendo feliz”, conclui. Diferente da modelo, o estudante de Direito da UFF, Victor Marcondes Quintas, 25, ainda vai começar o intercâmbio. Ele faz parte da segunda categoria de intercambistas: a que procura por graduação. Em janeiro do ano que vem, o paulista que mora em Niterói há quatro anos, embarcará para Madri, na Espanha, para cursar um semestre na Universidade Carlos III de Madrid. “Estou ansioso para a viagem. Lá vou ter uma outra visão do Direito, até mais ampla do que a nossa. As disciplinas que vou cursar lá são Direito Internacional, da União Europeia e Humanos. Muito dos nossos conteúdos são baseados nos estrangeiros. Vou estar lá justamente estudando direto da fonte”, explica Victor, que viajará com bolsa integral de extensão da UFF.
O caminho, no entanto, até conseguir a gratificação não foi fácil. Cursando o nono período do curso, ele tentou 10 editais de intercâmbio. Mas não é para menos, a concorrência é grande: apenas 30 bolsas de todos os cursos para mais de 20 mil estudantes. A seleção é feita por coeficiente regular (CR) e progressão curricular do estudante, além de proficiência na língua do país desejado.
Avaliação - Segundo a especialista em Recursos Humanos, Áurea Corrêa, um profissional com intercâmbio no currículo se diferencia dos demais na hora de encontrar um emprego, por apresentar segurança para enfrentar desafios. “Sem dúvidas, esse profissional se destaca por apresentar maturidade na hora de enfrentar desafios, com maior segurança adquirida por meio da troca de experiências culturais, comerciais e outras”, afirma a especialista, acrescentando que uma graduação no exterior conta mais no currículo, do que um curso de férias.