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Arte internacional em SG

relogio min de leitura | Redação 26 de junho de 2016 - 08:00
Geléia da Rocinha, que ganhou esse apelido do dramaturgo Nelson Rodrigues, tem um traço classificado como de 'Pop Naif'
Geléia da Rocinha, que ganhou esse apelido do dramaturgo Nelson Rodrigues, tem um traço classificado como de 'Pop Naif' -

Quem passa por uma casa pequena e simples em uma das tantas ruas do Porto Velho, em São Gonçalo, não faz ideia do talento que mora por trás das faixas penduradas “Xerox” e “Restaurador de obras de arte”. O artista é Geléia da Rocinha, apelido dado a José Jaime Costa, de 59 anos, por ninguém menos que o escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues.

O apelido peculiar surgiu quando José Jaime trabalhava como porteiro da TV Globo. Na época, fazia também na Favela da Rocinha, onde nasceu e morava, trabalhos extras como pintor produzindo faixas, letreiros populares e qualquer outra coisa que aparecesse para complementar a renda. O que ele não imaginava é que de renda extra a arte passaria a ser não somente seu ganho principal como o levaria ao reconhecimento como artista - inclusive internacionalmente. “Quando rolava papo no trabalho sobre armas, sempre dizia que tinha muito medo. Em um dia, depois que me pediram para dar um recado ao Nelson Rodrigues na recepção, ele passou por mim e disse que eu parecia o Guarda Geléia, um personagem do Jô Soares, que era muito frouxo. O ‘guarda’ caiu, ficou o ‘Geléia’”, contou José Jaime, que faz questão de dizer que não é artista plástico mas pintor.

Autodidata, Geléia revela que a carreira como pintor teve início - e ao mesmo tempo uma reviravolta - quando, por meio de uma amiga que trabalhava na casa de Gringo Cardia, foi convidado, nos anos 1990, a participar de um projeto para ilustração da capa de “Omelete Man”, o segundo álbum da carreira do cantor Carlinhos Brown.

“Um ilustrador renomado entregou um desenho em 20 dias. Eu, em dois dias, entreguei nove desenhos. Duro, entreguei o trabalho em um envelope de papel pardo, peguei o dinheiro que deram na hora e saí todo feliz da vida para fazer compras. Três meses depois me ligaram dizendo que meus desenhos tinham sido escolhidos. Com a grana, praticamente construí essa casa que moro em São Gonçalo”, revelou Geléia. Casa essa que também é seu atelier. Ou “mafuá”, como costuma apresentar aos amigos e convidados, por causa da “bagunça organizada” das tintas, telas e esculturas. Atualmente, são pelo menos 80 obras alocadas no pequeno espaço onde trabalha, entre quadros, restaurações e obras com materiais reciclados. O estilo, com traço negro delineando um forte colorido é classificado como uma espécie de “Pop Naif”. “Uma pintura primitiva”, resume o artista.

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