Desculpa nova, problema antigo
DER-RJ culpa crise econômica para falta de manutenção nas estradas estaduais que cortam SG

Por Marcela Freitas
Buracos, passarelas com estruturas enferrujadas, pontos de ônibus sem cobertura, mato cobrindo placas, divisórias de pistas quebradas ou inexistentes e até falta de parte da estrada e passarelas. Esses são alguns dos problemas encontrados nas estradas estaduais que passam por São Gonçalo - RJ-104 e RJ-106. Alegando a crise financeira que atinge o Estado, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), responsável pelas rodovias, argumenta que não tem como fazer as melhorias. Os problemas, no entanto, são muito antigos, bem mais antigos do que a crise do Estado.
Na última quarta-feira, o aposentado e radialista Getúlio Gonçalves Bastos, de 74 anos, morreu ao cair de uma fenda aberta entre as pistas da RJ-104, no Coelho. A morte do aposentado colocou em evidência uma série de problemas enfrentados pelos cerca de 80 mil motoristas que passam pela estrada diariamente, além do grande número de pedestres. Na manhã de ontem, uma equipe de reportagem de O SÃO GONÇALO percorreu as duas rodovias e encontrou uma série de problemas. Na RJ-104, no local onde ocorreu o acidente com o aposentado, o buraco foi tapado, na última sexta-feira, mas a mureta que garante a segurança de quem precisa seguir pela rodovia a pé está amarrada por um fio. “Qual a segurança que esse fio oferece? Essa ponte trepida muito. Eu passo aqui todos os dias porque é caminho para o trabalho”, disse a promotora de vendas Damiana Aparecida, de 29 anos. O mesmo problema é enfrentado por moradores do Colubândê. Uma fenda aberta pela falta de muretas, o mesmo problema que ocasionou a morte do aposentado no Coelho, oferece risco aos pedestres. A ponte construída para tornar a travessia mais segura está corroída, tomada por mato e foi interditada. Ainda no bairro, falta pavimentação no acostamento sob o viaduto na pista sentido Niterói. Em Tribobó, há um bueiro sem tampa.
Em Maria Paula, parte do viaduto ficou danificado com a queda de um ônibus, em julho do ano passado. Passados 11 meses, nada mudou, nem mesmo parte da mureta quebrada foi retirada. No Baldeador, em Niterói, imensos buracos em frente a um posto de gasolina causam prejuízos. Motoristas deixam de abastecer no local para não ter que passar pelos buracos.
“Isso é um absurdo. Estamos perdendo clientes por conta da falta de manutenção nessa via. Não podemos fazer uma obra que é obrigação do Estado. Pagamos impostos e queremos retorno”, reclamou o gerente Robson Silva, 43.
Na mesma via, parte do asfalto do acostamento cedeu nas chuvas de março e deixou aberta uma enorme cratera na altura do bairro Figueira. Além disso, as passarelas estão mal conservadas, entre elas a do Laranjal e Apollo, já em Itaboraí, que está completamente enferrujada.