Uma batalha por benefício
Com sequelas provocadas por AVC, porteiro é considerado apto pelo INSS a voltar ao trabalho

Em setembro do ano passado, o porteiro gonçalense Luiz Carlos de Andrade, de 60 anos, viu sua história mudar de uma hora para outra. Com uma vida ativa e trabalhando há 12 anos num condomínio residencial em Niterói, ele precisou ser afastado do trabalho após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC), durante o expediente. Desde então, ele enfrenta uma longa batalha para conseguir receber o beneficio do INSS. Logo que ficou doente, Luiz Carlos enfrentou a greve dos servidores da Previdência e ficou sem receber. Em janeiro, ele conseguiu receber o benéfico, ma os problemas que pareciam resolvidos estavam, na verdade, apenas começando. Em março, após passar por uma nova perícia, o porteiro foi liberado para exercer suas atividades, mesmo com sequelas, e resolveu recorrer da decisão. O que ele não esperava é que o pedido fosse indeferido em definitivo esse mês. Luiz Carlos possui dificuldades de locomoção e também neurológicas. Ele procurou um neurologista por conta própria, que atestou sua incapacidade de retornar as suas atividades. “Além das dores físicas eu tenho dificuldades de memorizar. Trabalho em um condomínio com mais de 60 apartamentos e muitas câmeras que preciso monitorar. Não me sinto preparado para voltar”, disse. Sem pagamento o porteiro não tem conseguido ir à fisioterapia recomendada pelos seus médicos. “Hoje eu tinha que ir a fisioterapia, mas não tive como pagar as quatro passagem. Além do tratamento para o AVC, também preciso comprar remédios para diabetes e controle de pressão. Atualmente, vivo apenas com o salário da minha companheira que trabalha como doméstica. Fui orientado a buscar o auxilio da justiça e, é isso que pretendo fazer”, afirmou.