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Mulheres pedem socorro

Movimento que cuida de vítimas de violência doméstica e sexual pode fechar as portas

relogio min de leitura | Redação 07 de junho de 2016 - 11:00
 Marisa Chaves, fundadora do MMSG, teve que reduzir funcionários e número de atendimentos
Marisa Chaves, fundadora do MMSG, teve que reduzir funcionários e número de atendimentos -

Por Marcela Freitas

Criado há 27 anos, o Movimento de Mulheres de São Gonçalo (MMSG), entidade da sociedade civil organizada que tem como um dos objetivos principais a luta em defesa dos direitos das mulheres, corre o risco de fechar as portas. Sem fins lucrativos, ela é mantida com o apoio de parcerias e teve sua situação agravada pela crise financeira que assolou o país.

Além do atendimento às mulheres, a instituição é responsável pelo Núcleo de Atenção à Criança e ao Adolescente Vítima de Maus Tratos (Naca) e o Núcleo Especial de Atendimento à Criança e ao Adolescente Vítima de Violência Doméstica e Sexual em São Gonçalo (Neaca). No ano passado, os apoiadores chegaram a 11 que, aos poucos, foram comunicando que não manteriam a parceria. Entre eles, a Petrobras, uma das mais importantes parceiras e principal incentivadora do Neaca.

Atualmente, a instituição se mantém apenas com o apoio da Prefeitura de São Gonçalo, da Fundação Abrinq e do Governo do Estado, através da Fundação para Infância e Adolescência (Fia). Este último está com os pagamentos atrasados desde fevereiro deste ano. “Temos uma parceria com a Fia há sete anos. E, nesse período, criamos o Naca Niterói e Naca Araruama, que atendia a toda Região dos Lagos. Sem recursos, ele foi fechado. Tínhamos um conjunto, só neste convênio com a Fia, de 50 funcionários e demitimos todos. Renovamos com a Fia no último mês. Todas as pessoas que atuam neste programa são voluntários. E se não fosse a dedicação deles, já teríamos fechado as portas. Infelizmente, com esse atraso nos pagamentos, não temos como recontratá-los, já que não temos certeza de quando vamos receber ”, explicou a fundadora Marisa Chaves. Segundo Marisa, a instituição não tem dívidas neste momento. “Hoje, temos um quadro com apenas nove funcionários: motorista, psicólogas, assistentes sociais, recepção e limpeza. Até dezembro, eram 104 funcionários, que foram demitidos até março. Com esse enxugamento da folha, conseguimos honrar os pagamentos, mas não sabemos até quando. Muitos outros funcionários, sabendo de nossa luta e da importância que tem essa entidade, passaram a trabalhar voluntariamente até que a situação seja regularizada”, lamentou, acrescentando que o MMSG realizava cerca de 240 atendimentos por mês. Hoje, o número não chega a cem e tem fila de espera. O MMSG fica na Rua Jaime Figueiredo, 2.685, Camarão, telefone 2606-7263, site www.movimentomulheres.com.br. A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Fazenda informou que os pagamentos serão realizados o mais rapidamente possível, de acordo com a disponibilidade de recursos em caixa, mas não informou o dia.

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