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Portas fechadas em SG

Sem clientes, lojistas do Centro da cidade amargam prejuízos e desistem de empreendimentos

relogio min de leitura | Redação 01 de junho de 2016 - 11:00
Estimativa é de que somente no Centro de SG, mais de 65 comércios fecharam nos últimos meses
Estimativa é de que somente no Centro de SG, mais de 65 comércios fecharam nos últimos meses -

Por Marcela Freitas

“Procuram-se clientes”. A frase poderia ser facilmente usada por lojistas de São Gonçalo, que, afetados pela crise econômica estão sendo obrigados a fechar as portas de seus empreendimentos. Estima-se que, pelo menos, 67 comércios entre lojas, laboratórios e lanchonetes já fecharam esse ano, só na região do Centro da cidade. De acordo com dados da Associação Comercial e Empresarial de São Gonçalo (Acesg), não há um número exato, já que muitas vezes os proprietários não dão baixa nos alvarás, o que dificulta uma contagem precisa. Entretanto, até o último levantamento feito, 32 lojas foram fechadas em definitivo nos últimos meses.

Quem passa pela Rua Feliciano Sodré observa uma série de lojas com portas fechadas e placas afixadas de “aluga-se, passo esse ponto e promoção por mudança de ramo”. De acordo com o presidente da Associação Comercial, Evanildo Barreto, a situação comercial de São Gonçalo está calamitosa. “Sabemos dos problemas nacionais, até estaduais e com São Gonçalo não é diferente. Acho que um conjunto de problemas tem prejudicado o comércio. Acredito que só com o diálogo entre poder público, Federação da Indústria e Comércio, Associação Comercial, sindicatos e imobiliárias, poderemos mudar este quadro”, disse. Ainda segundo Evanildo, a Associação Comercial tenta minimizar os problemas com capacitações de empreendedores. “Realizamos encontros, seminários e cursos. Em parceria com o Sebrae, oferecemos o curso empreendedorismo indicado pra quem quer abrir um negócio ou já possui um e quer aprimorar seu perfil. O momento é difícil e confesso que não vejo ânimo. Mas estamos procurando o túnel que nos trará a luz”, ressaltou.

Aluguéis - Comerciante há 25 anos, Rogério Barreto, 48, fechou, ontem, uma de suas três lojas. Ele, que começou como camelô e conseguiu abrir algumas lojas próprias, diz que nunca sentiu tanta retração no comércio como a vivida atualmente. Por conta disto, dos 60 funcionários que tinha, restaram apenas seis e ele pretende reduzir ainda mais. “Os aluguéis giram em torno de R$ 14 mil. Sem vendas, não tem como manter. Estou passando o ponto há seis meses e mesmo assim é difícil. Com a quebra do contrato, temos que pagar três aluguéis. Vou ficar apenas com uma loja e contarei com a ajuda da família”, afirmou.

Gerente da Imobiliária Procuradoria Santa Cecília, Irani de Alcântara Granado, disse que a procura por aluguéis comerciais está bem baixa. Hoje, a imobiliária administra cerca de 20 imóveis no Centro, que aguardam ser alugados. “Quem tem capital está com receio de investir. Hoje, quando um cliente vem renovar o contrato, temos que negociar. A vantagem do momento é que os valores de aluguéis não são reajustados”, afirmou Irani.

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