O calvário de Lourdes
Professora tem conta bancária bloqueada pela justiça e não consegue comprar os remédios da filha

A professora aposentada Maria de Lourdes da Silva Pinto Duque Estrada, carinhosamente chamada de Lourdinha, de 62 anos, teve seus pagamentos bloqueados pela justiça, no último dia 10, devido um processo que tramita na 2ª Vara de São Gonçalo. Mãe de uma jovem, de 23 anos, que é portadora de necessidades especiais e que faz uso contínuo de remédios controlados, a aposentada teme não conseguir arcar com os custos dos medicamentos, além das contas da casa.
De acordo com Lourdinha, sua mãe, Maria de Lourdes Barbosa Pinto, era assistida por duas cuidadores de idosos, porém, após o falecimento da mesma, em julho de 2008, uma das ex-funcionárias da mãe exigiu que a aposentada arcasse com o custeio do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do 13º salário.
“Eu cheguei a dizer para a cuidadora que não era eu que arcava com as despesas da minha mãe e que eu nem tinha condições de pagar o FGTS e nem o 13º salário dela. Mas a cuidadora acabou entrando com um processo conta mim em 2008”, contou.
A primeira audiência ocorreu em setembro de 2008, apenas dois meses após a morte da mãe de Lourdinha. Porém, na segunda audiência, a aposentada se atrasou 15 minutos porque a filha, Pâmela da Silva Pinto Duque Estrada, teve uma convulsão. Desde então, a idosa não recebeu nenhuma outra informação sobre o andamento do processo.
Foi só na última semana que ela recebeu uma notificação do Bradesco, pelos Correios. Na carta, o banco informava sobre o bloqueio dos valores da conta-corrente: “Atendendo à determinação judicial, realizamos em 10/05/2016 bloqueio de valor, conforme especificamos abaixo”, dizia a carta, que informava o número do processo, protocolo e nome da requerente.
“Sou aposentada pelo Estado, pelo município e recebo INSS por causa do falecimento do meu marido, que é o pai da Pâmela. Somos só eu e ela no mundo. Tenho um gasto de quase R$ 300 mensais com remédios para ela, além de fraldas geriátricas. Na hora que vi no extrato que meus pagamentos foram bloqueados, entrei em desespero, pois eu tinha que comprar os remédios da minha filha”, esclareceu a aposentada. Próximo do 24º aniversário de Pâmela, Maria de Lourdes teme não conseguir realizar a festa de aniversário da filha, que é festejado todo ano. “O aniversário da minha filha é em julho e eu sempre comemoro fazendo uma festa, pois essa é minha maior felicidade. Mas como vou comprar as coisas se meus pagamentos estão bloqueados?”, questionou. Até o fechamento desta edição, o Tribunal de Justiça não havia se pronunciado sobre o caso.