Mãe luta por Justiça há seis anos

“São seis anos em busca de justiça”. A frase evidencia bem o drama vivido pela aposentada Salisete Maia Vieira, de 60 anos, que desde 2010 aguarda que o Judiciário julgue o homem acusado de tentar assassinar seu filho. Mas a espera poderá ser ainda maior, já que o tão sonhado julgamento só deverá acontecer em dois anos, totalizando uma espera de mais de oito anos, para uma possível condenação do réu.
Nesse “Dia das Mães”, Salisete que tem quatro filhos e é avó de um neto, deseja somente um presente: ver o algoz de seu filho condenado. “Se ele passar um dia na cadeia, sei que terei cumprido meu papel. Todos esses anos não foram fáceis. Saber que ele está solto e que a Justiça é lenta é o que mais me aflige. Prometi lutar por justiça e vou fazer até os meus últimos dias”, afirmou. Vinicius Maia dos Santos, 30, foi baleado em 19 setembro de 2010, quando voltava da igreja. Na ocasião, ele teria se desentendido com um homem, após pedir para usar o banheiro de um posto de combustíveis em Neves, São Gonçalo. O suspeito, que trabalhava como taxista, teria seguido o jovem e o baleado, com quatro tiros de pistola 45, na Rua Maurício de Abreu. Na ocasião, a polícia chegou a cogitar a participação do vigilante do empreendimento, que teria se aborrecido ao ver Vinicius urinando nas dependências do posto. Situação que não foi comprovada. Segundo a mãe da vítima, Vinicius é portador de transtorno de esquizofrenia paranoide (forma crônica de esquizofrenia caracterizada por delírios de perseguição ou grandeza, frequentemente associados a alucinações), e poucos dias antes do crime, ele estava apresentando comportamento mais agressivo. Por conta disso, ela precisou aumentar os medicamentos dele, o que aumentava compulsivamente a vontade de urinar. Segundo Salisete, após o crime foi ela e seu filho mais velho que socorreram Vinicius. “Ele tomou quatro tiros que transfixaram o corpo. Os médicos chegaram a levantar a hipótese do Vinicius não andar mais, o que graças a Deus não aconteceu. Hoje, além dos problemas neurológicos, ele tem dificuldade de locomoção. Mas sou grata a Deus por tê-lo ao meu lado ”, afirmou.
Para o advogado da vítima, Ângelo Máximo, o acusado tem se aproveitado da morosidade da Justiça para gozar de liberdade durante todos esses anos. Segundo ele, a audiência que aconteceria no Tribunal do Júri de São Gonçalo foi cancelada quatro vezes somente esse ano, sendo transferida para 19 de julho de 2018.
Em nota, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) informou que a audiência foi transferida para julho de 2018 por readequação da pauta. Quanto à liberdade gozada pelo acusado, disse apenas que a sentença foi dada em 8 de novembro de 2012, sem especificar os motivos da decisão.