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Casa sustentável em SG

relogio min de leitura | Redação 24 de abril de 2016 - 22:08
As cores vivas da fachada e do interior da casa de Cristina e Cidel traduzem a pluralidade das peças produzidas no local
As cores vivas da fachada e do interior da casa de Cristina e Cidel traduzem a pluralidade das peças produzidas no local -

Matéria-prima reciclada, tintas, ferramentas e muita criatividade. Sustentada pelo talento empírico de transmitir o melhor da cultura brasileira, a Casa Atelier, em Neves, São Gonçalo, criada pelos artistas Cidel Trindade, de 41 anos, e Cristina Cavallo, 39, respira os mais diversos elementos do folclore brasileiro. As cores vivas da fachada e do interior traduzem a pluralidade das peças artesanais produzidas no local: mobiliário, decoração confeccionada com pneus, instrumentos musicais, quadros, entre outras.

Há oito anos localizada na Rua Maurício de Abreu, via paralela à Rua Oliveira Botelho, a Casa Atelier causou, de início, certa estranheza para os moradores do bairro, pouco acostumados com iniciativas artísticas. Mas bastou pouco tempo para se firmar como uma referência cultural do local. Hoje, de acordo com Cidel, muitos vizinhos abraçaram a ideia e ajudam com materiais.

É possível ver, inclusive, o casal trabalhando no quintal de casa e até mesmo na calçada. Segundo Cristina, que é artista e antropóloga, a proposta do local é ser um ponto de cultura em São Gonçalo, com uma veia sustentável. É prioridade no espaço se integrar ao meio ambiente, por meio do consumo inteligente, do descarte consciente e reaproveitamento de resíduos. É lá também que funciona a sede da Companhia Mãos Calejadas de Música, Arte e Cultura Popular, trabalho desenvolvido pelo casal. Neste projeto, Cidel comanda toda parte musical, com produção de instrumentos, ensino de notas e tudo mais. Enquanto Cristina promove oficinas de artes plásticas, com produções em desenhos, pinturas, poesias, colagens, arte em papel, tecido, mosaicos, arte-reciclagem, entre outras técnicas. O calendário de programações da Casa foi aberto ontem, e os artistas receberam turistas para terem uma vivência cultural, com experiências musicais, rítmicas e artísticas, orientadas pelo casal. A ideia de Cidel e Cristina é dar continuidade à série de eventos, com ao menos um por mês.

“Como artistas brasileiros, a gente tem uma responsabilidade social muito grande. Se eu conseguir resgatar ao menos um jovem de 100, já fico satisfeita. A gente quer aproximar as pessoas da cultura brasileira. A gente quer viver na nossa arte dignamente. Achamos importante ocupar um espaço”, declara Cristina.

Apesar do tamanho do movimento cultural, o casal não recebe nenhum incentivo público para manter as oficinas ou ajuda em eventos. “A gente faz tudo acontecer por conta própria”, relata Cidel. Na Casa Ateliê, o lixo orgânico é revertido em alimento para os cães ou adubo, por meio de uma composteira. A água da chuva e da máquina de lavar são coletadas para reaproveitamento e as embalagens viram utensílios ou peças de decoração. Além disso, a casa abre, em datas específicas, para saraus de música e de poesia, nos quais artistas convidados se apresentam ao vivo. Para saber mais sobre o trabalho do casal, basta acessar o site (www.maoscalejadas.wix.com/companhia) ou as páginas no Facebook (artereciclagembrasileira ou percussaocideltrindade). Os artistas expõem e vendem as peças produzidas e ainda fazem sob encomenda.

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