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CEF sorteia imóveis em S. Gonçalo

relogio min de leitura | Redação 15 de abril de 2016 - 21:52
As 998 famílias sorteadas vão morar nos condomínios Parque Araras e Bem-Te-Vis, no Jóquei
As 998 famílias sorteadas vão morar nos condomínios Parque Araras e Bem-Te-Vis, no Jóquei -

A Caixa Econômica Federal (CEF) sorteou, ontem, as residências dos condomínios Parque Bem-Te-Vis e Araras, do ‘Minha Casa, Minha Vida’, no Jóquei, em São Gonçalo. Desde o final de março, os dois condomínios estão ocupados por desabrigados das chuvas, que ocuparam o empreendimento após a forte tempestade que castigou vários bairros da cidade. Apesar da Justiça já ter determinado a desocupação do local, as famílias ainda tentam negociar a permanência delas. Na manhã de ontem, uma longa fila se formou na porta da quadra de esportes do Colégio Municipal Presidente Castelo Branco, no Boaçu, local do sorteio. Muitos chegaram ainda de madrugada, após serem convocados para escolha dos imóveis de acordo com as prioridades e limitações físicas de cada residente.

Segundo a secretária municipal de Desenvolvimento Social, Habitação, Infância e Adolescência, Evangelina Andrade, as famílias selecionadas para o sorteio já haviam sido cadastradas anteriormente e, aguardavam apenas a conclusão das obras.

“Essas famílias já estavam inscritas em programas habitacionais na cidade. Quando a obra está com 60% concluída enviamos a documentação para a Caixa que, as seleciona. Há famílias aqui que estão na ocupação, mas não sei precisar quantas. Todas elas foram selecionadas pela Caixa e já têm seu apartamento garantido. Hoje está sendo determinado em quais blocos e apartamentos cada família será instalada. A partir daí o processo para entrega das chaves demora em torno de 30 a 45 dias”, disse. Moradora de Santa Izabel, Sueli Carla Conçeição, de 35 anos, vê o sonho da casa própria virar realidade. “Fiz o cadastro há um ano. Vivo de aluguel com os meus quatro filhos. Estou muito feliz com essa conquista”, disse.

A mesma opinião era compartilhada pela funcionária de creche Danielle da Conceição, 31. “Moro em Santa Izabel, de aluguel, com dois filhos menores, e nas últimas chuvas só me restou o fogão. Meu sonho era ter uma casa própria”, afirmou.

Decisão - O juiz Federal Fabio Tenenblat deu novo prazo para a desocupação dos imóveis ocupados por cerca de 4 mil famílias. Antes, o prazo era até segunda-feira para que deixassem os condomínios Parque Bem-Te-Vis e Araras. Em novo despacho, publicado no dia 11, o juiz determinou que diante das conclusões obtidas na reunião preliminar realizada entre as partes e órgãos públicos, foi constatada a necessidade de prazo maior para planejamento da operação, visando em especial o cumprimento da decisão com o devido respeito a dignidade e segurança, tanto dos ocupantes quanto dos serventuários que cumprirão a ordem judicial. No dia 31 de março, ele havia determinado que após receberem a decisão judicial, que aconteceu no último dia 5, os ocupantes deveriam deixar o empreendimento em três dias. Caso a medida não fosse cumprida, caberia a PM a retirada dos ocupantes num prazo máximo de 10 dias. O comandante do 7ºBPM (SG), que já tomou ciência da decisão disse que a retirada das famílias precisa ser planejada e, que o prazo tem que estar de acordo com plano para desocupação. “Na próxima semana haverá duas reuniões para que sejam feitos todo o plano de reintegração. A decisão do juiz, considerando o planejamento, diz que a retirada é a critério das partes envolvidas”, concluiu. Novas famílias - Uma semana após receberem a notificação da Justiça, que determinava a desocupação espontânea, dos conjuntos habitacionais novos desabrigados continuam chegando ao condomínio.

Ao todo, 12 novas famílias, vindas do Jardim Catarina, chegaram ao local na última terça-feira. Líder do movimento, Oracia Vieira, 51, a Naná, disse que ficou surpresa com a nova adesão de pessoas, mas devido à gravidade da situação em que elas se encontram não poderia abandoná-las. “Como vou negar moradias a estas pessoas? Essas famílias não têm onde ficar. Muitas delas estavam na casa de parentes, mas passado um determinado período foram obrigadas a dar novos rumos a sua vida. Eu não tenho como colocá-las na rua. Como não tem apartamentos para todas essas pessoas elas estão dormindo no salão de festas”, disse.

A única que conseguiu um imóvel foi a dona de casa, Amanda Freitas da Silva, 22. Grávida de seis meses e com trombose nas pernas, a jovem chegou à ocupação no ultimo domingo com o marido e a filha de dois anos.

“Morava na Rua Nove, no Jardim Catarina, mas a água chegou até o teto. Não temos condições de voltar. Pedi ajuda de parentes, mas não tenho como ficar na casa deles por muito tempo. Tenho uma gravidez de risco e preciso de um lugar para viver. Graças a Deus consegui esse apartamento”, comemorou.

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