Almoço a R$ 2 pode acabar

Por Marcela Freitas
A crise econômica que atingiu os cofres públicos colocou em risco o funcionamento dos 16 Restaurantes Populares do governo estadual espalhados pelo território fluminense. Sem receber há vários meses, as empresas responsáveis pela administração dos mesmos ameaçam paralisar os serviços nos próximos dias.
Segundo funcionários do restaurante popular Jorge Amado, no centro de Niterói, o número de refeições servidas diminuiu, passando de 3 mil para 2,2 mil, diariamente. O cardápio também foi alterado, no lugar de carne, apenas salsicha ou lingüiça. O restaurante, ainda é um dos poucos que consegue manter suco e frutas no cardápio.
“Este ano, o estado ainda não efetuou pagamentos e no ano passado, foram mais quatro meses de débitos. Muitos funcionários estão sem receber aqui. Nossa empresa ainda consegue manter a fruta e o suco, o que não acontece em outros restaurantes”, disse um funcionário.
Atualmente trabalham no local cerca de 30 empregados terceirizados. “Nosso receio é que este restaurante feche e todas essas pessoas fiquem desempregadas. O estado não repassa o subsidio do alimento. A refeição é custeada parte pelo empresário e parte pelo que é arrecadado com as vendas de cada prato a R$2. Estamos fazendo milagre aqui”, revelou. Cliente assíduo do estabelecimento, o segurança Marcelo Oliveira Silva, 53, reclamou do cardápio oferecido ontem (lingüiça com batata, sasichão, chicória, polenta, fruta e suco de groselha).
“Esse cardápio não muda. Todos os dias têm salsichas. Isso é um absurdo. Qual o valor nutricional dessa comida? Por mim pode fechar as portas porque não atende mais a população”, reclamou.
Outro que não gostou do cardápio foi o aposentado Walter Quintanilha, 63 anos. “Venho a Niterói duas vezes por semana e sempre procuro almoçar aqui, mas há um mês esse cardápio não sofre alterações”, contou. Em contrapartida, o aposentado Aloisio da Cunha, 65 anos, disse que precisa do restaurante. “Eu almoço aqui todos os dias e adoro. Se não fosse esse restaurante eu não sei o que seria de mim. Fico triste por não abrir aos finais de semana. Quando ouço alguém falar mal, fico triste”, contou.