Drama longe do fim em SG

Por Marcela Freitas
Oficiais de Justiça entregaram, ontem, a notificação para que quatro mil pessoas que ocuparam os conjuntos habitacionais Parque Araras e Bem-Te-Vi, do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’, no Jóquei, em São Gonçalo, desocupem o local, de forma voluntária, em três dias. As famílias foram para os 998 apartamentos no dia seguinte às chuvas que deixaram centenas de desabrigados na cidade há 15 dias.
Após receberam a notificação, cerca de duzentas pessoas realizaram protesto nas ruas do centro de São Gonçalo, provocando engarrafamento de vários quilometros.
Dois oficiais de Justiça, acompanhados de policiais militares, foram recebidos pelos líderes da ocupação, que tomaram ciência da decisão do juiz da 3ª Vara Federal de São Gonçalo, Fábio Tenenblat.
Ao todo, 54 notificações foram entregues às lideranças que estão respondendo pelos 27 blocos de cada condomínio. Um dos líderes do movimento, o pastor Edison Silva Campos, disse que o grupo está buscando meios legais para reverter a decisão. “Só queremos um local para colocar essas pessoas que realmente precisam. Não estamos contra a lei. Só queremos que essas pessoas sejam ajudadas”, disse.
Oracina Vieira, 51 anos, afirmou que precisa de uma solução para deixar o empreendimento. “Para onde vão essas pessoas? Só queremos uma resposta. Se nos for oferecido uma escola desativada, por exemplo, nos vamos. O que não podemos é deixar todas essas famílias na rua. Vamos agir como determina a lei, mas é preciso que tenhamos uma solução”, apontou.
Na quinta-feira, a Justiça Federal concedeu um mandado de reintegração de posse à MRV Engenharia e Participações, responsável pela obras, que serão entregues aos beneficiários do programa com financiamento da Caixa Econômica Federal (CEF).
O cumprimento para desocupação deverá ser feito em três dias. Caso contrário, a caberá a Polícia Militar a retirada dos invasores em até 10 dias.