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Temporal mata idoso e deixa 38 bairros debaixo d’água em S. Gonçalo

relogio min de leitura | Redação 24 de março de 2016 - 23:27
Chuvas causam transtorno no Sacramento
Chuvas causam transtorno no Sacramento -
As águas de março marcaram um início trágico de outono para os moradores de São Gonçalo. Foram registrados alagamentos em pelo menos 38 bairros e todos os 15 rios do município transbordaram durante a forte chuva que atingiu a região, na noite de quarta-feira. No Sacramento, um idoso morreu afogado dentro de casa. 
O aposentado José Cardoso, de 74 anos, que era portador do mal de parkinson, estava em sua residência, na Rua Alberto Borgeia, quando teria ido fechar a janela e acabou caindo nas águas que invadiam seu imóvel. O corpo do idoso foi retirado no início da manhã, quando equipes da Defesa Civil conseguiram chegar no local.
Na via onde ocorreu a tragédia, a força da água derrubou uma ponte e carros foram arrastados por quase 200 metros. “Ele estava em casa apenas com sua esposa, que também é idosa, e provavelmente caiu e morreu afogado com a água que invadiu sua residência”, contou o genro do aposentado, que preferiu não de identificar.
O pintor naval Diego Campos Martins, 39, e sua esposa, a dona de casa Márcia Cezar Santos, 42, que eram vizinhos do aposentado, só descobriram que perderam tudo por volta de 1h, quando finalmente conseguiram chegar em casa nadando. “Estávamos na igreja com nossos dois filhos, de 16 e 11 anos, e começou a chover. Só conseguimos sair de lá durante a madrugada. Quando chegamos, já tínhamos perdido tudo”, lamentou Márcia.
O comandante da Defesa Civil, coronel Adilson Alves, garantiu que a quantidade de chuva era esperada para todo o mês de março e que nenhuma cidade do país aguentaria este volume de chuva sem sofrer. Em apenas duas horas choveu 110 mm². Entre as regiões mais atingidas estão os bairros do Jardim Catarina, Palmeiras, Arsenal, Jóquei e Salgueiro. 
O prefeito Neilton Mulim percorreu vários bairros atingidos pela forte chuva. “Nossa cidade foi a mais prejudicada pelo temporal que caiu no Estado. Até áreas que nunca tiveram registros de alagamentos foram afetadas. Estamos mantendo os serviços de manutenção da prefeitura em dia, como coleta de lixo, varrição e limpeza de bueiros e de água pluvial, mas o estado precisa nos ajudar dragando os rios, que estão totalmente assoreados”, explicou.
Famílias buscam abrigo em igreja do Pacheco
No Pacheco, cerca de 20 famílias tiveram suas casas invadidas pelas águas, que chegaram a atingir um metro de altura. 
O garçom Mauro Lúcio Pires, 43, contou que sempre morou na localidade e, somente esse ano, sua casa alagou três vezes. Ele, a esposa, a vendedora Bianca Antunes, 44, e a filha, de 14 anos, tiveram que buscar abrigo numa igreja do bairro.
“Já tinha alagado outras vezes, mas essa foi a pior. Entrou quase um metro de água na minha casa. As coisas que me doaram da última vez já perdi tudo. A cama ficou flutuando e eu saí nadando”, contou o garçom, que mora na Rua Patrício de Souza.
A técnica em enfermagem Angélica Valesca Pires, 27, também acabou perdendo os móveis durante as chuvas.
“Moro com duas crianças, uma delas com deficiência mental, e estou vivendo uma situação dessas por causa de uma obra irregular. Um absurdo uma situação dessas acontecer e os moradores, que não têm nada a ver, arcarem com as consequências”, reclamou a Angélica.
‘Minha casa e minha vida’ levadas pelas enxurradas
No Jóquei, moradores contemplados com apartamentos do ‘Minha Casa, Minha Vida’, há um ano, também tiveram problemas com alagamentos e fizeram uma manifestação pedindo manutenção dos rios que correm no entorno das habitações. 
“Perdi tudo no Salgueiro em 2010 e agora perdi tudo nos prédios que foram feitos para pessoas que passaram por situações de alagamento. Não temos para onde ir. Saímos do ruim para o pior”, comentou o gari Carlos Eduardo Flores, 28.
A dona de casa Cristiana  Rodrigues, 35, contou que perdeu aparelhos respiratórios, que custam aproximadamente R$ 11 mil. “Minha filha tem paralisia cerebral, precisava de aparelhos para respirar porque fez uma traqueostomia. Perdi tudo por causa da chuva e agora não tem como ela retornar para casa”, disse, aos prantos a dona de casa, que também é mãe de um bebê de apenas nove meses.
“Em 2010, saí da minha outra casa para dar uma condição de vida melhor para minha filha, mas o problema não mudou em nada. Estou passando pela mesma situação de novo, perdendo meus móveis e morando ao lado de um rio que enche e alaga tudo”, emendou. 
A comerciante Edinelsa Nascimento, 38, perdeu quatro refrigeradores que ficavam em sua lanchonete na Avenida do Contorno. A marquise do estabelecimento também acabou caindo durante o temporal. 
“A água descia como cachoeira. Eu não tinha o que fazer, a não ser esperar a água baixar para conseguir ver se salvava algum eletrodoméstico”, explicou.
O auxiliar de serviços gerais Severino José do Nascimento, 46, que mora atrás da lanchonete em uma vila de quatro casas, perdeu geladeira, fogão, cama, entre outros móveis e eletrodomésticos. 
“A gente não aguenta mais passar por essa situação. Moro com minha mãe de 75 anos e minha esposa e agora não temos mais nada dentro de casa”, encerrou.

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