Cerca de 300 pessoas ficaram desalojadas no Jardim Catarina
Um dos bairros mais atingidos pela forte chuva, o Jardim Catarina chegou a registrar 300 pessoas desalojadas, que foram encaminhadas pela Defesa Civil para a Escola Municipal Irene Barbosa Ornellas. Já no bairro das Palmeiras, cerca de 450 desalojados foram levadas para as unidades Marcilio Dias e João Saldanha.
Pela manhã, ainda era possível ver muita água empossada, no Jardim Catarina. Nas ruas 6, 7 e 8,moradores passaram toda manhã limpando suas casas. Funcionários da prefeitura auxiliavam na retirada dos entulhos e lama. “Estou muito triste com isso que aconteceu. A água chegou a mais de um metro. Corri para casa do meu filho e vi tudo o que eu tinha ser levado pela chuva”, disse a aposentada Carmelina Xavier Pimenta, 83 anos.
Na Rua 32, moradores também passaram o dia contabilizando os prejuízos. “Muitas pessoas aproveitam um terreno baldio no fim da rua para jogar o lixo. Com essa chuva tudo retornou para as nossas casas”, disse o estudante José Francisco de Menezes, 18.
Na casa da aposentada Ana Lúcia Dias, a água ainda era visível pela manhã. “O quintal está cheio. Consegui levantar alguns móveis, mas perdi muita coisa. Felizmente estamos bem. Nosso temor é de que volte a chover”, afirmou.
O cenário não era diferente no Laranjal. Com o transbordamento do Rio Camarão, famílias perderam praticamente tudo o que levaram uma vida para construir. Segundo a costureira Luciana da Silva Assis, 37, essa é a terceira enchente que ela enfrenta no local. “Construíram uma galeria de água pluvial após a pavimentação da rua e basta chover pouco para alagar tudo”, comentou Luciana. A também costureira Ana Lúcia Almeida, 42, disse que teve que retirar os pais, idosos, rapidamente. “A água subiu muito rápido. Não tivemos como salvar nada”, lamentou.
No final da tarde, no Jardim Catarina não havia mais desalojados. No bairro Palmeiras cerca de 280 pessoas permaneciam em escolas. Apesar do ponto facultativo nas repartições municipais, mais de 300 funcionários da prefeitura foram convocados para um grande mutirão nas localidades mais atingidas.
Força da água destruiu comércios e delegacia
No Mutuá, a força da chuva destruiu casas, comércios e até a delegacia, na Avenida 18 do Forte, que ficou durante o dia de ontem sem energia elétrica e telefone. No mesmo endereço, a comerciante Leila Lima, de 45 anos, ainda estava tentando contabilizar o estrago. “Hoje eu não estou nem atendendo, está tudo muito sujo, molhado, corre o risco de alguém escorregar e se machucar. Só estou vendendo vassoura e rodo, que são as coisas que os moradores estão procurando. Os objetos de plástico eu tive como salvar, mas o restante eu perdi tudo, vou ter que jogar fora”, lamentou.
Uma banca de jornal também foi arrastada pela enchente e se deslocou por cerca de dois metros. Na Rua Floriano Lima, a dona de casa Maria Estela Cardoso, de 55 anos, por pouco não perdeu a vida.
“Eu e meu neto de onze anos fomos resgatados pelo meu filho e o vizinho. Se não, nós teríamos morrido afogados. Ainda tive dificuldades para atravessar o muro, porque sou baixinha e já tenho idade. Foi eu passar pro outro lado que o muro desabou. Dois gatinhos meus morreram. Agora eu chego em casa, não tenho mais uma muda de roupa, um café para fazer. É muito triste”, lamentou.
Moradores fecham vias em protesto
Inconformados com a perda de seus bens e com a ausência do poder público para ajudar a população, moradores de diversos bairros de São Gonçalo protestaram em ruas e rodovias.
Para chamar a atenção das autoridades, móveis e eletrodomésticos danificados pela chuva foram usados para fechar pistas do Porto do Rosa, Raul Veiga, Pacheco, Colubandê, Jardim Alcântara e Amendoeira. Na RJ-104, PMs do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) foram acionados para controlar o protesto de moradores da Cerâmica, no Jardim Alcântara.
“Perdemos tudo:roupa, móveis, carro, comida. Ninguém apareceu para nos ajudar em absolutamente nada”, comentou um morador.
A manifestação provocou um engarrafamento de três quilômetros na rodovia.
Jacaré aparece em rua de Alcântara após chuva
Um jacaré da espécie Papo Amarelo apareceu na Estrada dos Menezes, no Alcântara, logo após a forte chuva que castigou diversos bairros de São Gonçalo na noite de ontem. Moradores que passavam pelo local filmaram e fotografaram o animal, de cerca de 1,5m de comprimento.
O réptil foi resgatado pelo Corpo de Bombeiros e levado para o quartel do Colubandê.