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Merendeiras das escolas municipais de Niterói anunciam greve

Cozinheiras reivindicam melhores condições de trabalho e reajuste salarial a partir de segunda (

relogio min de leitura | Felipe Galeno 25 de maio de 2023 - 19:59
Cozinheira conta que profissionais têm adoecido por conta da sobrecarga de trabalho
Cozinheira conta que profissionais têm adoecido por conta da sobrecarga de trabalho -

As profissionais responsáveis pela merenda escolar na rede municipal de ensino em Niterói irão realizar uma greve, reivindicando melhores condições de trabalho, a partir da próxima segunda-feira (29/05). As merendeiras cobram, entre outras demandas, a transformação do cargo de merendeiras para cozinheiras, além de redução da carga horária e reajuste salarial.

Os pedidos surgem no meio de um cenário de sobrecarga e desvalorização da categoria, segundo os relatos de merendeiras da rede. A cozinheira Élida Vianna, de 45 anos, que trabalha há 10 anos na função, conta que tem visto colegas de trabalho adoecerem por conta das más condições de trabalho a que são submetidas. Na unidade escolar onde trabalha, a Escola Municipal Anísio Teixeira, em São Domingos, uma profissional infartou durante o horário de trabalho que, segundo ela, teria sido por conta do excesso de demanda.

"A gente anda sobrecarregado, porque faltam profissionais. São cozinhas quentes com poucos funcionários e muita cobrança", conta Élida, que detalha demandas de trabalho que vão além das atribuições de merendeira: "A maioria das escolas tem geladeiras e fogões inapropriados. As cozinhas não têm condições. A gente não tem faca, temos que cortar carne com facas cegas. A gente não tem carrinho para levar panelas, quem carrega panelas pesadas somos nós. Quem recebe mercadoria somos nós".

Por conta disso, as profissionais que exercem a função pedem que o cargo seja oficialmente mudado para o de cozinheiras, com todas as implicações trabalhistas que isso traz. A transformação vem sendo pleiteada há cerca de 7 anos, na época em que o Plano Municipal de Educação para o decênio 2015 a 2025 foi elaborado. "Se eu não me engano, foi aprovada pela Câmara a mudança de nomenclatura em 2016 e a Prefeitura sempre vem nos 'enrolando'. A gente sempre chama para uma conversa e eles sempre colocam vários tipos de empecilho", reforça Élida

Na última quarta-feira, inclusive, uma comissão de cozinheiras e alguns representantes do Sindicato se reuniram com o Secretário Municipal de Educação, Bira Marques, para conversar sobre os pedido, mediados pelos vereadores Benny Brioli (PSOL) e Túlio Mota (PSOL). A reunião, no entanto, não foi muito satisfatória na opinião das cozinheiras, e muitos das promessas combinadas ao longo dos últimos diálogos, segundo elas, seguem sem ser cumpridos.

"Vai continuar sendo a mesma função que a gente já faz. A gente só quer o reconhecimento nosso", desabafa Élida.

Procurada, a Prefeitura de Niterói disse que a Secretaria e a Fundação Municipal de Educação estão "construindo um processo de diálogo aberto com os profissionais de educação" e que estão no processo de realizar a mudança na nomenclatura e na carga horária, sem especificar o prazo para a efetivação da transformação.

"Entendendo que a pauta também passa pela necessidade de melhores condições de trabalho, a Prefeitura anunciou, nesta semana, o PROCozinha, Programa de Reestruturação e Organização das Cozinhas Escolares, que será lançado no próximo mês. O conjunto de ações vai atuar na reforma das cozinhas, aquisição de equipamentos tecnológicos que facilitem o dia a dia, valorização profissional e atenção à saúde do servidor", destacou, em nota, a Prefeitura.

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