Diretor da PRF pede desculpas à família de Genivaldo pela primeira vez, após morte em “câmara de gás”
Nesta quinta-feira (25), o caso completa um ano e marca também a data em que a PRF apresentou estudos para instalar câmeras nos uniformes de policiais

O diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Antônio Fernando Oliveira, fez um pedido formal de desculpas à família de Genivaldo de Jesus, nesta quinta-feira (25). Essa é a primeira vez que a instituição faz uma declaração formal de desculpa sobre a morte dele, que completa um ano hoje.
“Todos sabem dos fatos recentes que aconteceram e não condizem com o histórico tradicional da PRF. Mas os fatos ocorridos foram traumáticos. Quero aproveitar a oportunidade para uma fala institucional que, não tenho conhecimento se já foi feita e acho necessária, que é um pedido de desculpa formal à família do vitimado. Nosso compromisso é que a PRF cada dia mais seja transparente em todas as nossas ações”, declarou.
A fala do diretor aconteceu durante a apresentação dos estudos para implementação das “bodycams”, as câmeras que devem ser instaladas nos uniformes dos policiais rodoviários federais. A cerimônia foi na sede da PRF e o diretor foi aplaudido após a fala sobre Genivaldo.
A PRF divulgou hoje um calendário para instalação das câmeras nos uniformes. Depois, será a fase de teste de campo, quando os policiais usarão os equipamentos nas ruas. E em abril do próximo ano está previsto o começo da licitação.
Segundo a PRF, ainda não há valor a ser falado, pois dependem dos estudos e das câmeras que podem ser compradas. Em São Paulo, por exemplo, primeiro estado a instalar, cada uma tem média de R$ 798,00 por mês como aluguel do pacote completo, desde o equipamento ao armazenamento.
Caso Genivaldo
Genivaldo de Jesus morreu em 25 de maio de 2022 e o caso ficou conhecido como “a câmara de gás improvisada”.
Conforme a denúncia do Ministério Público, a vítima morreu asfixiada depois de ser colocada no compartimento de presos da viatura da PRF, onde os agentes lançaram spray de pimenta e gás lacrimogêneo. Populares acompanharam a cena e gravaram o momento, que viralizou nas redes sociais e gerou indignação.
O juiz de primeiro grau decretou a prisão preventiva dos policiais “para garantia da ordem pública, em razão da gravidade do fato e de indícios de reiteração criminosa específica”. Isso porque, segundo o Superior Tribunal de Justiça (STJ), dois dos três policiais envolvidos no caso foram indiciados por abordagem violenta dois dias antes da morte de Genivaldo.