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Mães plurais: Jornalistas compartilham as dores e delícias da maternidade

Reportagem abre a série de homenagens às mulheres neste dia das mães

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 11 de maio de 2023 - 11:30
Da esquerda para a direita, Marcela Freitas, Renata Sena e Cyntia Fonseca
Da esquerda para a direita, Marcela Freitas, Renata Sena e Cyntia Fonseca -

Três mulheres, mães e jornalistas. Enquanto o mundo recebia a chuva de notícias sobre a pandemia do coronavírus, Marcela Freitas, Renata Sena e Cyntia Fonseca se dividiam entre maternar, gerar e informar. Nesse Dia das Mães, o trio de profissionais do Jornal O São Gonçalo comemora o fim da pandemia, após três anos de muitas mudanças na forma de trabalhar e, sobretudo, na forma de maternar. Para iniciar as homenagens às mulheres pelo Dia das Mães, O SÃO GONÇALO traz um pouco da história dessas mulheres que atuam há mais de dez anos na empresa levando informação aos milhares de leitores.

A mãe do Pedro
 

Marcela Freitas, de 41, é mãe do Pedro, de 8 anos. Compenetrada, dedicada e extremamente correta com horários e compromissos, Marcela "perdeu" os primeiros anos de vida do tão sonhado e planejado filho.

Com problemas para manter uma gravidez, Marcela e seu marido passaram por um intenso período de tratamento para que a gravidez do pequeno fosse saudável até o dia do parto. Entre dezenas de consultas médicas, exames e muitas agulhadas, a loira estava lá na redação do jornal. Ora com a barriga dolorida, ora com medo do futuro. Mas, sempre, com muita esperança que desse certo. E deu!

Imagem ilustrativa da imagem Mães plurais: Jornalistas compartilham as dores e delícias da maternidade
 

Pedro nasceu em outubro de 2014, após oito anos com seu parceiro, quatro de casamento. E foi aí que o sonho dourado da maternidade foi virando realidade. Amamentou por um mês e manteve o leite materno por mais quatro meses sendo retirado na bombinha. Contudo, após cinco meses de licença-maternidade e férias, ela estava de volta à vida profissional.

Enquanto ela se doava, ao extremo, para levar notícias à população de São Gonçalo, seu filho teve que aprender a ver o tempo da mamãe sendo dividido entre ele e seus leitores. Marcela precisou delegar, como tantas outras mães mundo afora.

E com a ajuda de uma pessoa, Pedro cresceu sabendo que a mãe precisava sair para trabalhar. Ela ia, mas voltava. Ela ia, mas o coração ficava. Ela ia, mas a mente só vagava. Será que... tantos "serás" rondavam a mente da, na época, repórter da editoria de geral.

Pedro e a mãe
Pedro e a mãe |  Foto: Divulgação
 

"Eu não participei da adaptação dele na escola. Não estive presente no primeiro dia de aula. Para ir a festas e reuniões de pais eu precisava me desdobrar, sair cedo, e tentar chegar a tempo. Consultas médicas era o pai quem levava na maioria. O desfralde fiz nas férias. Ia me adaptando para participar do que fosse possível", contou Marcela.

Até que em 2020, a pandemia foi anunciada para o mundo e o modo de trabalho mudou. A redação do Jornal O São Gonçalo parou e todo mundo passou a trabalhar em home office. Para Marcela, uma nova maternidade se desenhou ali.

"Antes, eu buscava o Pedro na escola e tínhamos juntos aquelas duas, três horas até ele dormir. Quando passei a trabalhar em casa, ele passou a me ver o dia todo, todos os dias. Aí nossa relação ficou muito mais estreita, próxima, com mais demonstração de carinho e de sentimento", contou a jornalista, que atualmente atua como chefe de reportagem.

A mãe do Tiago
 

Enquanto a pandemia serviu para unir, ainda mais, Marcela e Pedro, o período de medo e insegurança que a doença trouxe para a população culminou com o período dos primeiros meses de vida do Tiago, de 3 anos, filho da repórter de segurança pública Renata Sena, 35.

Renata planejou detalhes sobre o futuro do filho. Do nome ao tema das festas, tudo estava escolhido antes mesmo de engravidar. Após sete anos de casada, ela e o marido resolveram que era a hora de engravidarem, o que aconteceu bem rápido.

Imagem ilustrativa da imagem Mães plurais: Jornalistas compartilham as dores e delícias da maternidade
 

A preparação psicológica era para que após os cinco meses em casa, entre licença-maternidade e férias, ela conseguisse retornar a vida profissional. Em janeiro, Renata voltou para a redação do O SÃO GONÇALO. Tiago ficava com a avó materna e o pai. Mas, como amamentava e morava próximo à redação, a repórter cumpria o horário e voltava 'correndo' para o pequeno. Poucas horas fora de casa pareciam a vida toda. Rotineiramente alguém pegava ela chorando escondida. 

Dois meses após o retorno louco e corrido, ela ainda tentava descobrir como ser repórter e mãe ao mesmo tempo. Quando a matéria do dia atrasava um pouco, o seio logo vazava leite. Enquanto ela aprendia a lidar, a pandemia chegou. Todos foram para o trabalho home office, e o laço de Renata e Tiago ficou cada dia mais apertado.

Não raro, a repórter fazia fotos trabalhando, com o filho em cima da mesa "trabalhando juntos". Nas ligações, a voz do pequeno sempre aparecia ao fundo.

"Eu não apurei uma matéria durante o período do home office sem ele estar ao meu lado. Nossos horários ficaram mais flexíveis e eu aprendi a ser mãe com ele grudado 24 horas. Fui a todas as consultas médicas. Todas as vacinas. Vi o primeiro passo, a primeira palavra - que foi 'mamãe', é bom lembrar. Fiquei na porta da escola chorando no primeiro dia de aula. Ele nunca dormiu na casa de parentes. E só tinha saído sem mim umas três vezes na vida, com o pai", recordou a repórter, que desde o último fevereiro precisa aprender a viver sem poder fazer tudo com o filho.

Se em março de 2020 a redação parou, em fevereiro de 2023 tudo recomeçou. 

"Após um ano de home office integral, eu passei mais um ano em uma espécie de home office parcial. Eu saía, apurava a matéria e retornava para casa. Ainda não ia à redação e, com isso, ainda participava de tudo na vidinha do meu pequeno", contou. 

Múltipla e versátil, Renata Sena exala equilíbrio quando o assunto é profissionalismo. Da segurança pública à gastronomia, com sua personalidade extrovertida, falante e acolhedora consegue extrair de qualquer entrevistado as informações necessárias para excelentes reportagens. 

Mas com a volta ao trabalho 100% presencial, muitas vezes, o dia da Renata só começa depois da ligação carinhosa do pequeno. Às vezes telefonema, às vezes chamada de vídeo, é possível ouvir o 'mamãe, te amo' que faz derreter o coração da jornalista.  

Imagem ilustrativa da imagem Mães plurais: Jornalistas compartilham as dores e delícias da maternidade
 

E é no mês das mães, e no mês que a pandemia foi oficialmente encerrada pela OMS que a repórter precisou aprender a abdicar. Pela primeira vez, Tiago foi à pediatra acompanhado somente do pai. Ela, claro, se fez presente através de uma lista que fez para o marido ler para a médica. 

"É uma sensação ruim. É como se eu tivesse perdido uma parte da vida dele. Bobo, eu sei. Mas ser mãe de pandemia me fez ver tudo com muita intensidade. Eu passei três anos como uma leoa que fazia de tudo para proteger a cria de um vírus que poderia matar. Agora, ir soltando para o mundo, para outras pessoas entrarem no mundinho dele e entender que além de mãe eu sou uma profissional é uma tarefa pesada e uma luta diária", desabafou a profissional. 

A mãe da Maria Flor
 

Já a Cyntia Fonseca, que tem 30 anos e é a caçula do trio do OSG, não grudou nem se reconectou à filha durante a pandemia. Ela, na verdade, teve que aprender a fazer funcionar num mundo onde o normal era estranhamente anormal para nosso cotidiano. 

Mãe da Maria Flor, de 2 anos, Cyntia foi mãe na era do novo normal. Enquanto a redação apurava informação para saber se a pandemia viraria realidade, Cyntia, paciente de risco por conta de uma doença cardíaca congênita, se consultava para saber se poderia continuar indo trabalhar grávida, sem ainda ter dimensão dos riscos reais que o mundo iria enfrentar.

Imagem ilustrativa da imagem Mães plurais: Jornalistas compartilham as dores e delícias da maternidade
 

Na época da gravidez, a repórter de cultura já atuava como chefe de reportagem. Mãe, repórter e escritora. Cyntia é plural. Cyntia é explosão de ideias trancafiadas num corpo de calmaria. Ela é leve, confiante; e desmonta por dentro, enquanto sorri e acena por fora. 

A gravidez foi surpresa, para ela e para todos que a cercam, mas se desafio é para ser vencido, ela venceu. Ou melhor, está vencendo.

Cyntia, que tem quatro livros publicados, acreditou que se adiantasse seus textos na gravidez, seria mais fácil depois que a Florzinha nascesse. Engano dela. Enquanto gestava um ser, ela paria um livro. E enquanto ela paria uma Flor, gestava outro livro. 

E mais uma vez a maternidade, aliada com a pandemia, deu um "tapa na cara" de uma nova mãe. Se os planos da repórter eram de ir morar sozinha no apartamento financiado, com o objetivo de investir seu salário  e curtir a juventude, a realidade foi outra. O namoro acabou e para conseguir dar conta de uma filha pequena, trabalho em home office e seus livros, Cyntia seguiu morando com os pais. 

Imagem ilustrativa da imagem Mães plurais: Jornalistas compartilham as dores e delícias da maternidade
 

Para ela, a maternidade foi vivida integralmente, mas compartilhada com costumes e crenças antigas. Enquanto a recém mãe buscava informações novas e ajuda tecnológica para criar o novo ser que colocou no mundo, a sua mãe, e recém avó,  estava lá para por em prática a norma de que avó é mãe duas vezes. 

E assim, com a ajuda de outra mulher forte - que  já havia criado a própria Cyntia e seu irmão,  a nossa jornalista seguiu. Quando ser forte foi sua única opção, ela foi incansável. 

"Trabalhava vendo Maria Flor mexendo nos potes da minha mãe, subindo em tudo e querendo atenção. Ela sabia que tinha a mamãe ali, e se sentia segura para explorar o resto da casa. Mas isso também trazia medo de ela se machucar", relembrou. 

E como para Marcela e Renata, o fim da pandemia trouxe marcos para a vida de Cyntia. Atualmente, ela e a filha moram sozinhas. A menina, que nunca havia ficado sem mãe ou avó,  passou a ir para a creche. 

Agarrada no pescoço da mãe, Maria Flor chora para ir trabalhar com ela. Cyntia, com toda sua calma particular, ajuda a professora a pegar a criança e segue para o trabalho. Firme, de cabeça erguida, mas com o coração em pedaços. Em meio a conversas, a mão no telefone esperando a informação de que Maria Flor parou de chorar. A profissional sabe que precisa ir, mas a mãe queria se dividir para ficar. 

Imagem ilustrativa da imagem Mães plurais: Jornalistas compartilham as dores e delícias da maternidade
 
O sorriso vem
 

No caminho do trabalho, o trio conversa. Quase toda manhã, elas se encontram para seguirem, juntas, para o trabalho. Enquanto Marcela tenta explicar que o choro de Maria Flor vai passar, Renata, com o olho cheio de água, fala que não aguentaria seguir e deixar o filho chorando. Cyntia segue calada. Ora concorda com a cabeça, ora lembra em voz alta que precisa trabalhar. Mas o sorriso vem! Às vezes no caminho, as vezes já na redação. Mas, assim que ela recebe a foto da filha sem chorar, volta a respirar e fica pronta para começar o dia. 

A rotina das nossas profissionais é igual a de milhares de mulheres no mundo. As mães antigas viviam apenas para criar os filhos, as mães de antes da pandemia aprenderam que ir trabalhar para buscar o melhor para a família era a solução. E as mães pós-pandemia perceberam que o tempo é muito curto e que trabalhar é necessário, mas precioso mesmo é poder partilhar a vida com os filhos. 

Enquanto a gente daqui aprende a ceder sem perder e agarrar sem sufocar, esperamos que 'você daí' aprenda que cada segundo importa e que as mães estão cansadas de serem guerreiras. Atualmente, elas querem ser só  humanas. 

Profissionais e mães do OSG
Profissionais e mães do OSG |  Foto: Layla Mussi
 

Leia amanhã: Repórteres homenageiam suas mães e falam das várias formas de demonstração de amor e afeto.

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