A triste dor da despedida

Mãe de Bia, a manicure Diana Duarte é consolada pelo pai da criança, o vigilante Robson Barbosa, que pretende processar o Estado -
Por: Daniela Scaffo
“Mamãe te ama e vai te amar pra sempre, meu amor”. As palavras da manicure Diana Duarte, mãe da pequena Ana Beatriz Duarte e Sá, de apenas 5 anos - vítima de uma bala perdida em São Gonçalo - rompiam o silêncio e as orações individuais durante o enterro do corpo da menina, no Cemitério de São Gonçalo, na tarde de ontem.
Sob forte emoção e apelos por mais segurança, cerca de 250 pessoas estiveram presentes na cerimônia para prestar a última homenagem à pequena Bia. Pai da vítima, o vigilante Robson Barbosa protestou sobre o avanço da violência e reafirmou que pretende processar o estado.
“A violência está assolando todo mundo. A gente não tem mais paz. Minha filha foi atingida dentro de casa. Vou procurar o que for, vou atrás e não vou deixar a voz dela se calar”, enfatizou o vigilante.
Robson acrescentou que familiares acreditavam na recuperação de sua filha, que lutou durante quatro dias pela vida. No entanto, eles foram informados desde o início que o estado de saúde dela era gravíssimo.
“Sabíamos que os médicos não tinham muito o que fazer pela minha filha, pois o caso era muito delicado e a bala a atingiu com bastante brutalidade”, comentou.
Saudades - Amigos e parentes comentaram que a simpatia e a alegria de Bia - considerados seus traços mais marcantes -farão muita falta no dia a dia. “Sempre que ela passava por mim, toda arrumadinha, corria para me abraçar. Bia fará muita falta”, comentou uma vizinha.
O caso - Bia foi atingida por uma bala de fuzil na cabeça, há uma semana, durante confraternização familiar na casa de um tio. A menina brincava com outras crianças na Travessa Manuel Luiz de Souza, quando caiu. O tio correu para socorrê-la, pensando que não era nada grave. No entanto, momentos depois, ele percebeu que a nuca dela estava sangrando muito e entrou em desespero.
A menina chegou a dar entrada no Hospital Infantil Darcy Vargas, no Zé Garoto, e foi transferida para o Hospital Estadual Alberto Torres, no Colubandê, onde ficou internada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) Infantil até a última quinta-feira, quando morreu.
A polícia trabalha para identificar de onde teria partido o disparo. De acordo com as investigações preliminares de agentes da 73ªDP (Neves), o tiro pode ter sido efetuado do Morro do Zumbi, no bairro de mesmo nome. Agentes da Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo assumir as investigações.