‘Via Sacra’ mais verde em São Gonçalo
A Paróquia São Gonçalo do Amarante, também conhecida como Igreja Matriz, localizada no Zé Garoto, em São Gonçalo, mostrará na celebração da Semana Santa

Por: Thiago Soares
A Paróquia São Gonçalo do Amarante, também conhecida como Igreja Matriz, localizada no Zé Garoto, em São Gonçalo, mostrará na celebração da Semana Santa uma Via Sacra (encenação das 14 estações da Paixão de Cristo, desde o seu julgamento até a ressurreição de Jesus) mais verde este ano. É que o projeto Reflorestamento do Morro da Matriz (Remoma), ligado à instituição católica, plantou recentemente cerca de 500 novas árvores no local onde é encenada a via-crúcis, e assim apresentará um visual diferente ao público participante.
O projeto, que surgiu em 2002, com o objetivo de dar uma nova cara ao morro, já realizou, além do plantio das árvores, outras ações. Uma trilha, de aproximadamente 230 metros, foi aberta em 2012, com 14 cruzes representando as estações da Paixão de Cristo e que se transformou assim na representação da Via Sacra, na qual os fiéis percorrem, mentalmente, a caminhada de Jesus com a cruz desde o julgamento de Pôncio Pilatos até o Monte Calvário, meditando simultaneamente sobre a Paixão de Cristo. O ritual é realizado na Sexta-feira da Paixão, dois dias antes da Páscoa.
Idealizado pelo fotógrafo e biólogo Marcos Dias, de 37 anos, o projeto tem o objetivo de unir a religiosidade, ecologia e, futuramente, o turismo.
“O meu sonho particular é que isso se torne o Parque da Cidade de São Gonçalo. Gostaria que as pessoas pudessem visitar, que houvesse um local para realização de missas. Quem sabe daqui um tempo, isso aconteça”, revelou.
Além de realizar o reflorestamento do morro, o Remoma também promove a manutenção do local. Como é uma mata verde e existem casas próximas, o local sofre com incêndios, que são combatidos, sempre que possível, pelos colaboradores do projeto. Para ter essa possibilidade, foi instalado uma caixa de água no morro, onde é realizada a captação de águas da chuva.
“Na realidade, nós plantamos muito mais árvores, porém algumas não vingam. Às vezes sofremos com queimadas e pelo que posso ver aqui, temos algo em torno de 500, todas nativas da Mata Atlântica, em desenvolvimento. Em relação aos incêndios frequentes, temos um grande caixa d´água aqui para combatê-los”, descreveu.
“Apesar de estarem sendo plantadas desde o início do projeto, o visual tem mudado. Isso é reflexo do tempo de desenvolvimento de cada árvore. Em média, as mudas plantadas no local começam a apresentar algum resultado de crescimento após oito anos do plantio”, completou Marcos Dias.
Doações - Também voluntário do projeto, o cantor e compositor Rafael Garcia, 37, explica que tudo é realizado através de algumas parcerias avulsas e iniciativas particulares, sem apoio formal de órgãos públicos. “Aqui nós não temos um grupo fixo, é tudo voluntariado. Quem pode, vem e ajuda. Em relação às mudas, elas também são doações. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) doa alguma coisa, alguns empresários e amigos nossos também. E assim vamos seguindo”, explicou.
O projeto não tem uma agenda para realizar as plantações. Os responsáveis esperam um armazenamento grande de mudas para marcar um dia e fazer o plantio. De acordo com Marcos Dias, o próximo mutirão de plantio deve ocorrer em maio. A plantação das mudas é realizada sempre realizado aos domingos.