Saúde suplementar tem pior resultado desde 2001, alerta FenaSaúde
Setor de planos de saúde médico-hospitalares teve prejuízo operacional de R$ 11,5 bilhões em 2022

A saúde suplementar no Brasil enfrentou um dos piores resultados desde o início da série histórica em 2001, de acordo com dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) na segunda-feira (24). O setor de planos de saúde médico-hospitalares teve prejuízo operacional de R$ 11,5 bilhões em 2022, mas o resultado financeiro líquido foi positivo em R$ 1,5 milhões.
Apesar de o prejuízo operacional no quarto trimestre ter sido menor em relação aos três anteriores do ano passado, o setor já acumula sete trimestres seguidos de resultados negativos. A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) considera a situação crítica e alerta para o impacto nos reajustes dos planos de saúde. A divulgação do índice de reajuste dos planos individuais e familiares está prevista para maio.
"A saúde suplementar sofre efeitos diretos do descompasso entre receitas e despesas e do aumento dos custos dos tratamentos de saúde, medicamentos, procedimentos hospitalares e terapias. Essa escalada deve impactar diretamente no índice de reajustes dos planos. O cenário coloca em risco o equilíbrio do sistema, o que pode levar à saída de milhares de beneficiários, sobrecarregando ainda mais o SUS", avalia a diretora-executiva da FenaSaúde, Vera Valente.
A sinistralidade dos planos médico-hospitalares também é um destaque negativo em 2022, segundo a FenaSaúde. O índice, que é um dos principais indicadores do setor, foi de 89,21% no quarto trimestre, indicando que a cada R$ 100 de receita das operadoras de planos de saúde no trimestre, R$ 89,21 foram destinados ao pagamento de despesas assistenciais com consultas, exames, internações, cirurgias, entre outros. No terceiro trimestre, o índice foi de 93,2%.
A organização indica que diversos fatores impactam esses resultados, incluindo o aumento da frequência de uso dos planos de saúde, o fim da limitação de consultas e sessões de terapias ambulatoriais com fonoaudiólogos, psicólogos, entre outros. Além disso, o aumento do preço de insumos médicos, a obrigatoriedade de oferta de tratamentos cada vez mais caros, com doses a cifras milionárias, a ocorrência de fraudes e a judicialização.
A alteração do caráter taxativo do rol, promulgada em setembro de 2022, também preocupa a FenaSaúde. Segundo Valente, a mudança criou "condicionantes frágeis e subjetivas de cobertura" e tende a agravar o cenário de desequilíbrio entre receitas e despesas.