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Descaso e morte em São Gonçalo

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 08 de março de 2016 - 22:07
Isaac conseguiu três decisões liminares para a transferência da mãe, mas nenhuma delas foi respeitada
Isaac conseguiu três decisões liminares para a transferência da mãe, mas nenhuma delas foi respeitada -

Depois de 12 dias aguardando transferência para uma Unidade de Tratamento Intensiva (UTI), a aposentada Jacira Siqueira de Castro, 84, morreu na noite do último domingo. Internada na enfermaria do Pronto-Socorro de Alcântara, após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC) no dia 25 de fevereiro, a idosa aguardava remoção para um hospital com mais recursos. 

De acordo com o filho da aposentada, o técnico em informática Isaac de Castro, 51, a família teria procurado o Núcleo Interno de Regulação (NIR) do Pronto-Socorro para solicitar um leito na UTI, durante os primeiros dias de internação da idosa. Porém, mesmo após o cadastro realizado, a demanda não chegou até o Sistema Estadual de Regulação (SER), que faz o acompanhamento dos pedidos.

“Minha mãe teve um AVC hemorrágico e insuficiência respiratória aguda. Pedimos a transferência para uma UTI e o Pronto-Socorro disse que enviaria uma demanda para o SER. Depois de vários dias, nem o nome dela constava no sistema. O Pronto-Socorro não repassou as informações necessárias para o NIR e, com isso, houve essa demora. Cada dia sem tratamento adequado, era um dia a menos de vida para minha mãe”, denunciou Isaac.

Na última quinta-feira, o Pronto-Socorro chegou a emitir um receituário alegando que a idosa estava com o quadro de saúde clínico estável, mas que precisava de terapia intensiva e o local não possuía estrutura para ofertar o serviço. No domingo, Jacira acabou sofrendo um Acidente Vascular Encefálico (AVE) Isquêmico e não resistiu.

A família ainda chegou a conseguir três liminares na Defensoria Pública, nos dias 3, 4 e 5, que garantiam a transferência da idosa para uma UTI. As duas últimas eram referentes ao descumprimento do Pronto-Socorro ao primeiro processo.

“Fomos três dias seguidos à Defensoria e conseguimos a liminar favorável para transferência, mas nem isso adiantou. Não fui trabalhar e usei vários dias para tentar resolver a questão, e nenhuma liminar foi cumprida”, explicou o técnico em informática.

Segundo a outra filha da aposentada, a dona de casa Vanir Siqueira Marins, 64, um caso semelhante de descaso pela saúde já havia acontecido com seu pai, há cinco anos. 

“Não queremos que outras pessoas passem por isso. Meu pai faleceu há cinco anos no corredor no Hospital Estadual Alberto Torres após operar o fêmur e não conseguir nem uma maca para deitar. Queremos que outras pessoas tenham a oportunidade de receber o tratamento adequado”, disse a dona de casa.

O enterro da aposentada será hoje, às 15h, no Cemitério Parque da Paz, no Pacheco, em São Gonçalo.

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