Passeata para o Alcântara

Cerca de 250 alunos saíram do Mutondo em protesto por melhores condições de estudo e de trabalho para os funcionários da educação -
“O professor é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo”. Esse era um dos gritos de guerra de centenas de estudantes que fizeram uma passeata, ontem à tarde, do Mutondo ao Alcântara, em São Gonçalo, em favor da greve do magistério público estadual. Outro ponto da cidade registrou manifestação de alunos, que reivindicavam seus direitos na Praça Luiz Palmier, no Centro, no fim da manhã.
Após se concentrarem em frente ao Colégio Estadual Doutor Adino Xavier, no Mutondo, cerca de 250 estudantes de três unidades públicas do Estado percorreram toda a Rua Alfredo Backer até chegar ao Shopping Pátio Alcântara. Com cartazes de questionamentos ao Governo Estadual e com um carro de som, os alunos mobilizaram todo o trânsito, por volta das 15h.
Entre as reclamações, os estudantes destacaram turmas superlotadas, prédios sem manutenção (que ocasiona queda de telhados e goteiras), falta de conserto dos ar condicionados, demissão dos porteiros e ameaça de mandar embora os terceirizados da limpeza, merenda precária, e por fim, o congelamento e atraso dos salários de professores e funcionários.
Na Praça Luiz Palmier, alunos do Ciep 249 - Pastor Waldemar Zarro, em Boa Vista, também foram às ruas para realizar um protesto em favor da educação. “Viemos para a rua para pedir ao governador melhorias nas escolas. Nossas principais pautas são reajuste salarial dos professores e servidores públicos, porteiros nas escolas, mais segurança, manutenção dos ar condicionados, da sala de aula, bebedouro e sala de informática com acesso à internet”, enumerou Caio Martins, de 15 anos.
A manifestação contou com apoio do Centro de Mídia Independente Rio de Janeiro, do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe) e de alguns professores. “A manifestação foi toda organizada pelos alunos e contou com apoio de alguns professores. Porém, não fomos obrigados a ir para às ruas. Estamos indo porque queremos melhorias”, explicou Ellen Dias, 19.
A greve dos professores e funcionários da rede pública estadual começou no último dia 2 de março em diversas unidades.
Uerj - A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj-FFP), no Patronato, em São Gonçalo, também aderiu ao movimento de greve e começou efetivamente uma paralisação das aulas ontem. Estudantes, professores e funcionários lutam por melhorias de estrutura e de condições de trabalho, além de aumento de salários.
Nota - O Governo do Estado informou, através de nota, que considera legítimo o direito de greve e reitera que a educação é uma das suas prioridades da gestão. De acordo com a resposta, a forte recessão da economia brasileira está afetando todos os estados brasileiros, em particular o Rio de Janeiro, cuja economia tem, pela sua vocação natural, forte peso do petróleo, que está com os preços despencando desde 2014. Para o Estado, a quase paralisação das atividades da Petrobras agravou significativamente a crise das finanças fluminenses.