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Síndrome do Pescoço de Texto: quando o uso do celular se torna um problema

Dores no pescoço, ombros e braços podem ser ocasionados pelo mau uso do telefone celular

relogio min de leitura | Escrito por Tatiane Alves | 13 de março de 2023 - 13:40
Dores de cabeça, sensação de peso, rigidez muscular, dor e queimação do pescoço, dor nas costas e na região cervical são alguns sintomas
Dores de cabeça, sensação de peso, rigidez muscular, dor e queimação do pescoço, dor nas costas e na região cervical são alguns sintomas -

O celular é o maior símbolo do avanço tecnológico. Todo mundo usa e ele está em todos os lugares da vida cotidiana. Porém, seu uso excessivo vem a cada dia gerando um novo problema o: “text neck”. O nome em inglês se refere a um termo que tem sido relacionado para descrever a dor no pescoço relacionada à má postura no momento em que a pessoa está com o celular nas mãos.

Um estudo recente mostrou que 79% da população entre 18 e 44 anos usa o celular a maior parte do tempo. O resultado são dores que podem afetar a coluna cervical, ombros, braços e mãos.

É o caso de Nathália Souza, 26 anos, moradora de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Ela conta que em 2020, ano em que iniciou a pandemia da Covid-19, começou a estudar e trabalhar em casa. Os primeiros sintomas iniciaram quando ela estava no 7º período de faculdade. Meses após a rotina intensa, as dores apareceram nas regiões da coluna, pescoço e  mãos. 

"Durante a quarentena, eu terminava meu expediente no trabalho e saía das aulas da faculdade correndo para me distrair no celular. Ou seja, era o dia inteiro em frente à tela. Eu comecei a sentir dores constantes. Chegou um tempo que meu pulso e dedos apareciam inchados e com muita dor. Eu vivia a base de medicamentos contra dor muscular. Eu fiquei preocupada, quando minhas mãos acordavam inchadas e meu dedo indicador que usava para rolar a tela do celular apresentava dores intensas" relata.

Nathália já fazia ideia de que poderia ser um problema desenvolvido pelo excesso de tempo com os aparelhos eletrônicos.

"Eu fiz errado e não procurei por atendimento médico. Tratei em casa, sempre com chás, gel de arnica, gelo e algumas coisas que a minha avó me dava. Também procurei diminuir meu tempo de tela. Até hoje sinto os efeitos disso. Minha mãos continuam inchando, meus pulsos e pescoço não são mais os mesmos, é uma dor que de vez em quando aparece" conta.

Segundo a fisioterapeuta Walkíria Brunetti, especialista em Educação Postural e Dores Crônicas, o “pescoço de texto” pode ser descrito como uma síndrome causada por um esforço repetitivo do pescoço em que a estrutura fica flexionada para frente e para baixo por períodos prolongados.

“A tecnologia faz parte do dia a dia das pessoas. A vida está, literalmente, na palma das mãos. Esse esforço da curvatura do pescoço para frente e para baixo pode ser observada no uso dos celulares, tablets, dispositivos portáteis para leitura e até mesmo em computadores. Essa postura pode causar prejuízos enormes para a coluna cervical”, esclarece.

Como prevenir? 

Para prevenir a síndrome do pescoço do texto, vale fazer alguns pequenos ajustes, tanto no modo como usamos o celular quanto durante o trabalho. O ideal é fazer pausas durante o dia, a cada 20 minutos, principalmente, no caso de quem que trabalha com computadores.

"Neste momento de pausas, procure trazer o pescoço de volta ao lugar. Já se for usar o celular por muitas horas, busque uma postura mais adequada, procure sentar-se com os braços apoiados. Use almofadas ou outros dispositivos que ajudem a trazer o celular para a linha dos olhos, evitando assim a inclinação do pescoço para frente. Tente fazer também, se possível, uma melhor gestão de tempo com o intuito de reduzir longas jornadas à frente de telas", recomenda a especialista.

É recomendado também investir em atividades como o Pilates, Reeducação Postural Global (RPG) e técnicas da fisioterapia que melhoram a postura e dão maior consciência corporal, além de alongamentos todos os dias na região cervical, mas sempre com a orientação de um fisioterapeuta.

*Sob supervisão de Cyntia Fonseca

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