Chuva destrói casas e sonhos

As fortes chuvas que atingiram São Gonçalo e Niterói entre a tarde e a noite de segunda-feira deixaram a Defesa Civil em estado de alerta. Nas duas cidades, vários bairros foram inundados e ainda havia vestígios ontem.
Em São Gonçalo, 70 pessoas estão desabrigadas. O trabalho de limpeza de rios e bueiros vai continuar pelos próximos dias. O órgão orienta que os moradores continuem em alerta porque há previsão de mais chuva até a próxima sexta-feira. Em São Gonçalo, a situação mais grave foi no bairro Palmeiras, no Complexo do Salgueiro. Setenta pessoas do bairro foram alojadas na Escola Municipal Marinheiro Marcílio Dias e estão recebendo assistência da prefeitura. Além de Palmeiras, a Coordenadoria de Defesa Civil registrou dez solicitações de inundação no Jardim Catarina, o segundo bairro mais atingido pela forte chuva. Houve chamados para Jóquei, Ipiíba, Rio do Ouro, Jardim República, Tribobó e Rocha. Mas moradores de Porto Velho, Vila Lage, Pacheco, Trindade e outros bairros também registraram inundações. O ajudante de pedreiro Luciano de Jesus, de 39 anos, que mora com a esposa, a doméstica Ingrid da Conceição, 28, e um casal de filhos de 9 e 12 anos, viu tudo que tinha dentro de casa ir, literalmente, por água abaixo. Por volta das 17h15 de segunda, menos de 15 minutos após iniciar a chuva, Ingrid saiu de casa, localizada na Rua Leão Gambeta, com seus dois filhos, e foi para a casa da sua avó, de onde assistiu sua casa ser coberta pela chuva. "Todas as vezes que chove, eu saio de casa, pois é comum a água entrar na minha residência. Mas ontem (segunda), em pouquíssimos minutos, a casa ficou inundada. Não deu para salvar absolutamente nada", contou a doméstica.
De acordo com Luciano, ele e a esposa chegaram a colocar as compras de supermercado em cima dos armários, na tentativa de salvar alguns alimentos. Porém, a água deformou os armários, que acabaram caindo. "Nem as compras que tentamos salvar, nós conseguimos. É muito triste ver nossas coisas indo embora assim. A água chegava acima do meu peito. Tive que sair daqui a nado", explicou o ajudante de pedreiro. A Rua Manuel Duarte, onde fica a Associação de Moradores e Pescadores do Porto Velho e suas Praias (Ampovep), ficou completamente alagada. "Qualquer chuva que dá, alaga toda essa rua.
No entorno, todos os moradores das encostas são alertados em períodos de chuva", disse o vigilante Jerry Lopes, 45. Na Rua Coronel Lourenço Inácio, no Vila Lage, a situação não foi diferente. A água subiu durante a chuva e invadiu o quintal dos moradores. "A água da chuva invadiu nossas casas e alagou tudo. Ontem, não era possível nem passar de carro por aqui. Teve um carro que foi coberto", contou o técnico em mecânica Rafael Correia, 30. Defesa Civil – De acordo com a Coordenadoria de Defesa Civil de São Gonçalo, todas as equipes do órgão estão em estado de alerta para atender a população, já que tem previsão de chuva forte para os próximos dias. O órgão recomenda que os moradores fiquem atentos caso algo de anormal seja registrado durante ou após fortes chuvas. A orientação é abandonar o local imediatamente e acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou 2601-0199. Nesses casos, as famílias devem procurar abrigo na casa de amigos ou parentes. Limpeza – Homens e máquinas dos Departamentos de Conservação e Obras, Parques e Jardins e Limpeza Urbana continuarão trabalhando nos bairros mais castigados pela chuva. “Montamos uma força-tarefa para atender toda a cidade, principalmente as localidades onde temos desabrigados, como Salgueiro, Palmeiras, Marinha e Jardim Catarina. Vamos continuar nas ruas atendendo os chamados de emergência”, disse a secretária de Infraestrutura e Urbanismo, Ana Cristina Silva.