Brasileiro pode deixar de comer feijão todos os dias até 2025, aponta pesquisa
Diminuição do consumo do grão pode favorecer tendência ao sobrepeso e gerar piora nas condições nutricionais da população

Parece que a clássica dieta do "feijão com arroz", que reina nos pratos dos brasileiros há séculos, pode estar com os dias contados. Ao menos é o que aponta uma nova pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais. Segundo os dados do levantamento, a tendência é de que o feijão deixe de ser consumido regularmente no Brasil até o ano de 2025.
De acordo com a pesquisa, entre 2007 a 2017, o número de pessoas que comem feijão entre cinco a sete dias por semana diminuiu cerca de 8%. No mesmo período, foi registrado um crescimento no consumo ocasional do alimento.
Como as tendências foram observadas em grupos de diferentes faixas etárias e níveis de escolaridade, a estimativa é de que, nos próximos dois anos, o grão deixe de fazer parte da alimentação regular de mais da metade do país, sendo consumido, por esse grupo, entre 0 a 4 dias por semana.
De acordo com a pesquisadora e nutricionista Fernanda Serra, que assina o trabalho de pesquisa, a queda no consumo do feijão pode resultar num empobrecimento das condições nutricionais de toda a população, além de favorecer um cenário de maior propensão à obesidade.
Ainda de acordo com os dados levantados, as pessoas no grupo que não come feijão regularmente apresentam riscos de obesidade 20% maiores, assim como 10% chances de desenvolverem um quadro de excesso de peso.
Para a especialista, isso acontece porque, na medida em que o alimento vai deixando de fazer parte do prato dos brasileiros, opções mais prejudiciais à saúde vão substituindo o grão.
"Esse consumo não regular acaba sinalizando essa substituição por opções não saudáveis. Seriam os industrializados, especialmente os ultraprocessados, que apresentam elevada quantidade de calorias - com pouco ou quase nenhum valor nutritivo - e já foram identificadas várias evidências científicas associadas ao ganho de peso e a esse risco de excesso de peso e obesidade. Ou seja, eles geram uma piora da qualidade da dieta, com prejuízo para a saúde", afirma Fernanda.
Além disso, com o feijão deixando de fazer parte da dieta regular, o país também perde uma de suas marcas culturais mais características. "É um risco muito grande, especialmente em termos culturais, porque o feijão é um símbolo identitário da nossa cultura. Temos relatos do feijão em poesias e músicas. Ele apresenta também um excelente perfil nutricional, que é rico, com adequado aporte de proteínas, de minerais como o ferro e também de fibras e várias vitaminas", sinaliza a especialista.