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Cadê a educação pública?

relogio min de leitura | Redação 24 de fevereiro de 2016 - 20:08
Estudantes do Colégio Estadual Walter Orlandine são liberados mais cedo por falta de professor.
Estudantes do Colégio Estadual Walter Orlandine são liberados mais cedo por falta de professor. -

 Por Marcela Freitas

Em junho do ano passado, os pais dos estudantes Lucas e Pedro Victor de Moraes Costa, de 13 e 11 anos respectivamente, tomaram uma difícil decisão: retirar os filhos da rede privada de ensino e matriculá-los na rede pública. Motivados pela crise econômica que atingiu as famílias brasileiras, o vendedor autônomo Carlos da Silva Costa, de 36 anos, e a esposa, a cabeleireira Lílian Fernandes Costa, 35, tinham uma única preocupação: as greves.

Pouco mais de uma semana após o início do ano letivo, eles receberam a notícia que mais temiam: a rede estadual entrará em greve, por tempo indeterminado, no próximo dia dois de março. De acordo com a diretora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe) de São Gonçalo, Beatriz Lugão, além dos reajustes dos salários, a categoria cobra do governo explicações sobre a reforma previdenciária.

“Vamos parar por tempo indeterminado. Somos contra a mudança do regime previdenciário; parcelamento de salários; além de outras pautas. Os profissionais só retornarão às salas de aula quando houver acordo entre a categoria e o estado”, explicou. Além das melhorias para a categoria, Beatriz contou que as escolas precisam de reformas urgentes. O Colégio Estadual Walter Orlandine, no Paraíso, está com quatro salas interditadas desde as últimas chuvas. Já no Ciep Pablo Neruda, no Laranjal, os sistemas de ar-condicionado não estão funcionando. Além disto, todas as escolas da rede estão sem porteiros.

Ontem, alunos do Walter Orlandine foram dispensados, às 10h40, por falta de professores de Biologia, Sociologia e Filosofia. Mãe de uma estudante do primeiro ano, Cláudia Alves, 49, ficou surpresa com a greve. “As aulas mal começaram e já vão parar. Lugar de aluno é na sala de aula. Infelizmente, todos esses jovens ficarão com tempo ocioso. Acho que o professor precisa ser respeitado, mas os alunos não podem ser prejudicados”, lamentou.

Migração chega a 21% em São Gonçalo

Dados da Secretaria Estadual de Educação (Seeduc) revelam que, em 2016, houve um aumento de cerca de 12% de alunos oriundos da rede particular, totalizando 33.412 estudantes transferidos para a rede estadual. Na rede municipal, esse número não é diferente. De acordo com a Prefeitura de São Gonçalo, este aumento foi de pouco mais de 21% no número total de matrículas, passando de 41 mil para 50 mil, ou seja, nove mil novos alunos.

Para Carlos, a diminuição das vendas o levou a matricular seus filhos na rede pública. “Tínhamos um gasto mensal de R$ 1,2 mil com as mensalidades dos garotos. No final do segundo semestre, vi que não teria mais como arcar com isso. Quem comprava minhas mercadorias à vista, passou a pedir prazo e quem pedia prazo, deixou de pagar. Fiz o máximo que pude para eles concluírem o ano letivo, mas esse ano é uma nova realidade”, contou Carlos, que só com materiais escolares em 2015 gastou R$ 4 mil.

Para Lílian, seu maior medo é em relação às greves. “Acho que o professor precisa ser valorizado. Visitamos a escola e tivemos uma ótima receptividade.

Apesar de ter estudado em escola pública, tinha receio de colocá-los por conta das constantes paralisações”, contou.

A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Educação lamenta a decisão do Sepe de iniciar greve no atual momento econômico. Em relação a portaria das escolas, a empresa que prestava o serviço não renovou o contrato e uma nova licitação será feita. A nota diz ainda que a carência de professores no Walter Orlandine é pontual e que já está sendo suprida e que apenas o laboratório de Ciências continua interditado, por precaução. No Ciep Pablo Neruda, a direção já solicitou reparo de alguns aparelhos que apresentaram defeito.

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