Oportunidade através do esporte
Quem vê o sorriso largo nos lábios do professor de jiu-jitsu Rogério Moura, de 37 anos, nem imagina as dificuldades pelas quais ele já passou na vida. Mas foi justamente de uma tragédia que ele tirou o impulso que precisava para ajudar o próximo.

Oportunidade através do esporte Quem vê o sorriso largo nos lábios do professor de jiu-jitsu Rogério Moura, de 37 anos, nem imagina as dificuldades pelas quais ele já passou na vida. Mas foi justamente de uma tragédia que ele tirou o impulso que precisava para ajudar o próximo. Rogério é coordenador e idealizador do projeto “Vencedores em Cristo”, que sem fins lucrativos, oferece aulas de jiu-jitsu para jovens que queiram iniciar no esporte. Com ajuda de igrejas evangélicas, ele já conseguiu abrir 10 filiais de seu projeto, que tem como sede o quintal de sua casa, na Rua Julio Castilho, em Guaxindiba, São Gonçalo. Em 2003, Rogério, a esposa e a filha Vitória Brenda, de 4 anos, viviam no Morro do Pires, na Engenhoca , em Niterói quando, durante uma chuva, uma pedra se desprendeu e atingiu a casa de Rogério e de um vizinho. Ele e a esposa Rosely Ananias Moura, 38, conseguiram escapar com vida, mas a menina e o sogro acabaram morrendo, vítimas do deslizamento. Na casa do vizinho, quatro pessoas também morreram. “Foi um momento muito difícil em que a tristeza tomou conta. Entendi que era vontade de Deus, mas sofremos para aceitar. Eu na época já praticava jiu- jitsu, mas estava parado. Um amigo me chamou para voltar a treinar e me apeguei a isso. Minha esposa engravidou de gêmeas depois e fomos superando com a ajuda de nossas filhas Ana Julia e Ana Carolina. Quando atingi a faixa roxa, resolvi abrir a primeira escolinha, e daí em diante não parei mais”, contou Rogério que mantém o projeto há seis anos e já beneficiou mais de mil jovens. Sem receber qualquer apoio financeiro de instituições públicas é Rogério que mantém basicamente o projeto. “Quase tudo o que ganho, coloco no projeto. Este polo na minha casa é custeado integralmente por mim. E ajudo no aluguel de um outro espaço. As igrejas nos ajudam cedendo o espaço físico no pátio das suas instalações e adaptamos usando da melhor maneira possível, mantendo a limpeza, organização e higienizando todo o local. Dos alunos não cobramos nada. Aqueles que podem ajudar, pedimos que tragam mensalmente um quilo de alimento não perecível para ajudar as ações sociais das igrejas”, revelou. O objetivo de Rogério é, segundo ele, apenas ajudar o próximo. “Queremos transformar vidas através do esporte, promovendo o bem-estar físico, social e psicológico para crianças das comunidades carentes, gerando oportunidades. Nossa missão é gerar vencedores. Se tivéssemos ajuda, seria muito melhor, mas nada me fará desistir deles”, disse Rogério que atende atualmente cerca de 700 crianças, nos bairros do Pacheco, Laranjal, Neves, Venda da Cruz, Guaxindiba e Manilha, em Itaboraí. Quem quiser conhecer o projeto social “Vencedores em Cristo”, basta ligar para 97042-9351 ou 3713-8237. RETRANCA COM FOTO Alunos precisam de apoio para competição Quatro alunos do projeto foram selecionados para disputar a “International Brazilian Jiu-Jitsu Federation” (IBJJF), que acontece em junho na Califórnia, Estados Unidos. Mas, sem patrocínios, os jovens de origem humilde, não têm como representar o Brasil. Dentre os alunos já selecionados, apenas Elvis Hernandez, morador de Itaboraí, de 19 anos, garantiu as passagens, já que venceu a seletiva como campeão absoluto. Os outros alunos Rogério Jardim, 21, Cristian Alves, 19, e Marcos Vinicius Oliveira, 17, precisam de recursos para passagem, alimentação e hospedagem. “Com exceção do Elvis, acredito que o custo para cada jovem seja em torno de R$ 5 mil. Eu,infelizmente, não tenho como custear esse valor. Essa competição é muito importante para esses garotos, que já conquistaram muitas medalhas e são campeões brasileiros em suas categorias”, disse Rogério. Elvis, que cursa a faculdade de Educação Física, sonha em chegar ao MMA. “Cada luta é muito importante para nossa carreira. Preciso de cerca de R$ 3 mil para viajar para Califórnia. Mas estou confiante que vamos conseguir. Sonho com o dia que vou chegar ao UFC e, com certeza, poderei ajudar muitos jovens que assim como eu começaram através de projetos sociais”, afirmou.