Outubro Rosa: grupo fortalece a autoestima de mulheres com câncer de mama
'Unidas Pela Vida' ampara pacientes com câncer de mama em São Gonçalo e busca conscientizar através de palestras; conheça histórias transformadoras de mulheres que passaram pelo tratamento

A campanha Outubro Rosa se tornou uma das marcas registradas do antepenúltimo mês do ano. Realizada todos os anos, a ação tem como objetivo principal alertar a sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama.
Em São Gonçalo, há cinco anos, o Grupo de Apoio ao Paciente Oncológico ‘Unidas Pela Vida’ reúne, principalmente, mulheres com diagnóstico do câncer para que uma ajude a outra a enfrentar o processo de tratamento.
Localizado no bairro Zé Garoto, o espaço físico do grupo está sempre aberto para receber a visita de quem está procurando apoio e também doações, para que o trabalho do coletivo possa continuar sendo feito.
A advogada e técnica em radiologia Patrícia Silva é a idealizadora do grupo e coordena as políticas públicas de combate ao câncer em São Gonçalo. À frente do ‘Unidas Pela Vida’, Patrícia procura "bater ao máximo na tecla" da prevenção e do autoexame.
“O objetivo fundamental do autoexame é fazer com que a mulher conheça detalhadamente as suas mamas, o que facilita a percepção de quaisquer alterações, tais como pequenos nódulos nas mamas e axilas, saída de secreções pelos mamilos, mudança de cor da pele, retrações, etc. Existem vários sites que ensinam, e neste mês estamos distribuindo panfletos e fazendo palestras de conscientização”, conta.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia, é recomendável que as mulheres comecem a realizar os exames relacionados à mama a partir dos 40 anos. Porém aquelas que possuem histórico familiar de câncer de mama precisam iniciar a prevenção aos 35 anos.
Para Patrícia, ‘a prevenção sempre será o melhor caminho’, uma vez que o câncer de mama é o câncer que mais mata mulheres no Brasil.
“O Outubro Rosa é um mês de conscientização, prevenção, promoção à saúde. É o momento em que a sociedade civil grita: ‘Ei, mulher, se cuide, se ame’. É o momento de compartilhar informações e proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuir para a redução da mortalidade”, afirma.
Segundo estudo publicado pela Pfizer, não existe uma única causa, mas sim uma soma de fatores de risco para o câncer de mama. Entre os fatores comportamentais estão o sedentarismo; a obesidade e sobrepeso, principalmente depois da menopausa; o consumo de bebidas alcoólicas; e a exposição constante a raios X.
Os fatores reprodutores e hormonais que podem aumentar o risco são a primeira menstruação antes dos 12 anos; a primeira gravidez após os 30 anos; a mulher não ter tido filho; a menopausa após 55 anos; e ter feito reposição hormonal depois da menopausa, principalmente por mais de cinco anos.
Alguns fatores genéticos também precisam ser observados com atenção, como história familiar de câncer de ovário; histórico de câncer de mama na família, principalmente antes dos 50 anos; caso de câncer de mama em homens na família; e alteração genética nos genes BRCA1 e BRCA2.
Mas é importante ressaltar: ter um ou mais fatores de risco para o câncer de mama não significa que a mulher irá desenvolver a doença.
'Se cuidem, se toquem, se amem'

A esteticista Tatiane Righe, de 36 anos, é uma das integrantes do grupo de apoio 'Unidas Pela Vida'. Ela decidiu procurar a ajuda da ginecologista assim que percebeu, em outubro de 2019, um carocinho superficial em sua mama, através do autoexame.
Ela nunca tinha realizado uma mamografia até então. Por conta da sua idade, sua médica não achava necessário este tipo de exame. Porém Tatiane nunca deixou de fazer o autoexame, o que a fez conhecer com profundidade o próprio corpo e as mudanças de um ano ao outro.
"Se cuidem, se toquem, se amem! Só assim você será capaz de cuidar de quem se ama! Aliás mulher, se toque. Não espere algo aparecer para procurar seu médico. Evitar e se cuidar é um gesto de amor!", afirma a esteticista.
Tatiane afirma que passar pelo processo não é fácil, mas foi o que a mostrou o quanto ela é forte, amada e o quanto está disposta a ajudar outras mulheres.
'Dei uma coça no câncer de mama aos 26 anos'

A fotógrafa Josiani Pedrazza, de 29 anos, é paciente oncológica desde 2020. Na época, aos 26 anos, durante o banho sentiu um caroço próximo ao bico do seio e resolveu procurar uma mastologista. Após alguns exames e uma biópsia, recebeu o diagnóstico de câncer de mama.
A partir deste momento, Josiani começou uma longa e dolorosa jornada pela vida, sendo submetida a uma mastectomia radical total na mama direita e esvaziamento axilar. Em seguida, realizou16 quimioterapias e 28 sessões de radioterapia. Hoje, faz uso de hormonioterapia, tratamento que continuará seguindo por 5 anos.
"Não foi fácil e ainda não é fácil, mas Deus tem me dado forças pra continuar, vencer o câncer e me abençoado com pessoas maravilhosas em meu caminho, como a Patrícia, que me acolheu com o grupo Unidas pela Vida desde o início do meu diagnóstico", conta.
Devido a sua idade, a fotógrafa ainda não havia feito uma mamografia. Como ela não tinha histórico familiar, acabava também não realizando o autoexame frequentemente, e nem imaginava que poderia ser acometida pelo câncer de mama tão nova.
Hoje, se considera a prova viva que o câncer não escolhe idade, classe social, etnia. "Todos precisamos nos cuidar sempre'"
"Sem o diagnóstico e o tratamento que recebi, poderia não estar aqui. Estou com um ano de remissão, graças a Deus e aos meus médicos que não me desampararam. O processo de tratamento é muito difícil e doloroso em vários aspectos, mas é necessário e em muitíssimos casos 100% eficaz. O câncer não é uma sentença de morte", ressalta.
Depois do processo de tratamento, Josiani não se considera mais a mesma mulher de antes. Perdeu os longos cabelos, perdeu uma mama, ganhou cicatrizes, mas, principalmente, passou a olhar o próximo com 'mais amor, compaixão e empatia'.
"Peço para que todas as mulheres em todas as idades se previnam, se olhem, se toquem, conheçam seu próprio corpo, pois em 80% dos casos de câncer de mama é a própria mulher ou seu companheiro que descobrem o tumor. A cura é possível!", declara.