Dia das Crianças: conheça cirurgias plásticas reparadoras que podem ser feitas na infância
Correção de lábio leporino e de craniossinostoses estão entre as mais comuns entre os pequenos

Cirurgia plástica pode não parecer assunto de criança, mas em alguns casos é. Algumas anomalias que exigem cirurgias plásticas, apesar de não tão comuns, podem criar impactos importantes na vida do paciente quando o acomete na infância.
“As cirurgias reparadoras feitas na primeira infância garantem o desenvolvimento pleno e saudável da criança além de preservar a autoestima, o que é fundamental para a integração sociofamiliar desse paciente”, afirma a cirurgiã Lydia Masako Ferreira, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
Uma das operações mais comuns nesses casos é a fissura labiopalatina, mais conhecida como 'correção do lábio leporino', que pode tomar diferentes proporções dependendo de cada caso. “Pode atingir apenas o lábio ou se estender com uma fenda no céu da boca que requer cirurgia para readequar os músculos dessa região”, explica Nivaldo Alonso, diretor do Serviço de Cirurgia Craniofacial do Hospital de Anomalias da USP em Bauru.
Essa anomalia genética pode ser identificada ainda na gestação, a partir da 12° semana de gravidez, por meio de exame pré-natal, e o indicado é que seja corrigida ainda nos primeiros meses de vida. “O ideal é corrigir antes de 1 ano e meio de idade para não prejudicar a mastigação e a fala”, completa Nivaldo.
Para o designer gonçalense Lucas Moreira, de 20 anos, ter feito a cirurgia com 3 meses de idade fez toda a diferença em seu crescimento. "Foi muito bom. Tenho um conhecido que fez depois de mais velho e não ficou bom. A questão é fazer antes do rosto 'se moldar'. Ou seja, quando a área da minha boca começou a 'crescer', ela já se moldou com a cirurgia pronta, todo o rosto se moldou já com a cirurgia", comenta o jovem.
Outra operação que pode ser feita na infância é a correção de craniossinostoses. Menos frequentes, as cirurgias são extremamente necessárias para permitir o crescimento do cérebro. A doença é caracterizada pelo fechamento precoce de estruturas ósseas do crânio ou da face, e pode alterar o formato da cabeça do bebê. A incidência na população pode variar de 1 para 2500 nascimentos até 1 para cada 5 mil. A recomendação é que a cirurgia seja feita a partir dos 6 meses de idade.
Menos grave para o aspecto de funcionalidade do organismo, mas fundamental para a adaptação social da criança, a otoplastia, cirurgia para corrigir orelha 'de abano', é bastante procurada nas clínicas de cirurgia plástica. É considerado um procedimento de baixa complexidade, feito muitas vezes com anestesia local, com alta hospitalar do paciente no mesmo dia. Atualmente, antes da cirurgias, os médicos indicam tentar reduzir a proeminência da orelha do bebê com o uso de moldes de silicone. Caso não apresente resultados, então, a cirurgia é indicada.
Em qualquer um desses casos, o cirurgião plástico atua como um coordenador do tratamento e orientador da família sobre os passos a seguir. No caso, por exemplo, de lábio leporino ou de alterações na estrutura craneana, além de cirurgia, a criança precisará de assistência multidisciplinar, com fonoaudióloga, nutricionista e psicólogo, e o cirurgião acompanhará a trajetória do tratamento, dando segurança e apoio ao paciente e à família.