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Com alta dos preços, famílias buscam substituição nos cardápios

Medida, no entanto, preocupa nutricionistas, que veem aumento no consumo de ultraprocessados

relogio min de leitura | Redação 29 de setembro de 2022 - 07:28
Camila Jardim tem pesquisado melhor os preços para tentar economizar ao máximo nas compras.
Camila Jardim tem pesquisado melhor os preços para tentar economizar ao máximo nas compras. -

Embora a mais recente pesquisa do DIEESE aponte que no último mês o valor da cesta básica diminuiu em 16 das 17 capitais onde o instituto realiza mensalmente seu estudo, o custo do conjunto dos alimentos básicos aumentou em todas as capitais analisadas. No Rio, o crescimento foi de 7,74%.

O valor necessário para as compras do mês já representa um comprometimento de cerca de 64% do salário mínimo, o que faz com que os consumidores precisem enxugar a lista de produtos ou até realizarem substituições de alimentos.

Arroz foi um dos alimentos que mais pesou no bolso das famílias.
Arroz foi um dos alimentos que mais pesou no bolso das famílias. |  Foto: Layla Mussi
 

A nutricionista Camila Jardim, de 27 anos, tem tentado ao máximo não alterar muito a sua dieta alimentar, mas com o aumento dos preços começou a substituir a marca de alguns alimentos como arroz e feijão.

"Lá em casa a gente diminuiu a quantidade de carne vermelha, até por preferir comer frango, mas percebemos que a qualidade dos corte caiu muito. A gente vê que o preço do frango também subiu, o que faz com que a carne suína também seja uma opção", conta.

A aposentada Maria das Graças, de 70 anos, diz que na sua casa tem feito algumas alterações para tentar não extrapolar o valor separado para o mercado.

"A gente começa a deixar coisas supérfluas de lado. Começamos as compras pelo essencial, aquilo que não pode ficar de fora, e se sobrar algum dinheirinho a gente pega o resto. Mas o leite é algo que eu não consigo mesmo deixar de comprar", relata.

Maria das Graças faz substituições, mas não deixa nunca de fora o leite.
Maria das Graças faz substituições, mas não deixa nunca de fora o leite. |  Foto: Layla Mussi
  

A comparação do valor da cesta básica entre agosto de 2022 e agosto de 2021 mostrou que todas as capitais tiveram alta de preço. No Rio, o aumento foi de 13,19%, sendo a  4ª capital onde o conjunto dos alimentos básicos apresentou o maior custo (R$ 717,82).

"Essas substituições de alimentos ao longo prazo vão gerar um grande prejuízo na saúde dos brasileiros, junto com o aumento do consumo dos ultraprocessados, que são um dos hábitos alimentares mais nocivos à saúde atualmente", afirma a nutricionista Flávia Freitas.

Flávia se preocupa com a saúde da população no futuro. Para ela, ao longo prazo podemos ter uma população doente, com níveis altos de obesidades e desnutrição, acarretando danos ainda maiores e uma interferência direta na economia. 

Segundo a nutricionista, é necessário dar subsídios para que a população tenha acesso a alimentos e preparações culinárias saudáveis, o que significaria uma melhoria no estilo de vida em larga escala, diminuindo assim gastos futuros associados a cuidados com a saúde, medicamentos e hospitalares. 

"Hoje, o que se tornou uma grande substituição nas famílias brasileiras, os ultraprocessados são formulações feitas pela indústria com 5 ou mais ingredientes, tendo nenhum valor nutricional. Eles são ricos em calorias, açúcar, gorduras, sal e aditivos químicos, favorecendo diversas doenças como obesidade, câncer, osteoporose, doenças do coração, diabetes, ansiedade, depressão, desenvolvimento de alergias e intolerâncias alimentares, prejuízo do funcionamento dos rins, sobrecarga do funcionamento hepático, distúrbios estomacais e intestinais, entre outros". 

A economista Luciana Tamburini explica que os preços dos alimentos devem começar a desacelerar no fim do segundo trimestre de 2022, se forem confirmadas as expectativas de aumento da safra agrícola, de estabilização do dólar e de redução das tarifas de eletricidade com a volta das chuvas.

"Algumas sugestões parecem simples, mas fazem a diferença no bolso dos brasileiros e, por isso, precisam ser compartilhadas para que mais pessoas consigam fechar a conta no final do mês: faça uma lista antes de ir ao supermercado; evite ir ao supermercado com fome; combine as compras com os pequenos; estipule um limite para os gastos; e fique de olho nas promoções", expõe.

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