Com alta dos preços, famílias buscam substituição nos cardápios
Medida, no entanto, preocupa nutricionistas, que veem aumento no consumo de ultraprocessados

Embora a mais recente pesquisa do DIEESE aponte que no último mês o valor da cesta básica diminuiu em 16 das 17 capitais onde o instituto realiza mensalmente seu estudo, o custo do conjunto dos alimentos básicos aumentou em todas as capitais analisadas. No Rio, o crescimento foi de 7,74%.
O valor necessário para as compras do mês já representa um comprometimento de cerca de 64% do salário mínimo, o que faz com que os consumidores precisem enxugar a lista de produtos ou até realizarem substituições de alimentos.

A nutricionista Camila Jardim, de 27 anos, tem tentado ao máximo não alterar muito a sua dieta alimentar, mas com o aumento dos preços começou a substituir a marca de alguns alimentos como arroz e feijão.
"Lá em casa a gente diminuiu a quantidade de carne vermelha, até por preferir comer frango, mas percebemos que a qualidade dos corte caiu muito. A gente vê que o preço do frango também subiu, o que faz com que a carne suína também seja uma opção", conta.
A aposentada Maria das Graças, de 70 anos, diz que na sua casa tem feito algumas alterações para tentar não extrapolar o valor separado para o mercado.
"A gente começa a deixar coisas supérfluas de lado. Começamos as compras pelo essencial, aquilo que não pode ficar de fora, e se sobrar algum dinheirinho a gente pega o resto. Mas o leite é algo que eu não consigo mesmo deixar de comprar", relata.

A comparação do valor da cesta básica entre agosto de 2022 e agosto de 2021 mostrou que todas as capitais tiveram alta de preço. No Rio, o aumento foi de 13,19%, sendo a 4ª capital onde o conjunto dos alimentos básicos apresentou o maior custo (R$ 717,82).
"Essas substituições de alimentos ao longo prazo vão gerar um grande prejuízo na saúde dos brasileiros, junto com o aumento do consumo dos ultraprocessados, que são um dos hábitos alimentares mais nocivos à saúde atualmente", afirma a nutricionista Flávia Freitas.
Flávia se preocupa com a saúde da população no futuro. Para ela, ao longo prazo podemos ter uma população doente, com níveis altos de obesidades e desnutrição, acarretando danos ainda maiores e uma interferência direta na economia.
Segundo a nutricionista, é necessário dar subsídios para que a população tenha acesso a alimentos e preparações culinárias saudáveis, o que significaria uma melhoria no estilo de vida em larga escala, diminuindo assim gastos futuros associados a cuidados com a saúde, medicamentos e hospitalares.
"Hoje, o que se tornou uma grande substituição nas famílias brasileiras, os ultraprocessados são formulações feitas pela indústria com 5 ou mais ingredientes, tendo nenhum valor nutricional. Eles são ricos em calorias, açúcar, gorduras, sal e aditivos químicos, favorecendo diversas doenças como obesidade, câncer, osteoporose, doenças do coração, diabetes, ansiedade, depressão, desenvolvimento de alergias e intolerâncias alimentares, prejuízo do funcionamento dos rins, sobrecarga do funcionamento hepático, distúrbios estomacais e intestinais, entre outros".
A economista Luciana Tamburini explica que os preços dos alimentos devem começar a desacelerar no fim do segundo trimestre de 2022, se forem confirmadas as expectativas de aumento da safra agrícola, de estabilização do dólar e de redução das tarifas de eletricidade com a volta das chuvas.
"Algumas sugestões parecem simples, mas fazem a diferença no bolso dos brasileiros e, por isso, precisam ser compartilhadas para que mais pessoas consigam fechar a conta no final do mês: faça uma lista antes de ir ao supermercado; evite ir ao supermercado com fome; combine as compras com os pequenos; estipule um limite para os gastos; e fique de olho nas promoções", expõe.