Todo poder às mulheres!
Gênero feminino ‘toma conta’ da educação a distância

Funcionária pública Neide Gouveia voltou aos estudos aos 45 anos no polo do Cederj de SG na turma de Licenciatura em Turismo
Foto: DivulgaçãoTurmas femininas e cheias de disposição. Assim podem ser descritas as salas de aulas virtuais do país, com base em informações da Associação Brasileira de Educação a Distância. O Censo 2014 da modalidade aponta que as mulheres que trabalham e estudam são maioria entre as matriculadas nos cursos. Metade das instituições avaliadas informou que o público feminino compõe mais de 50% da turma. Já os estudantes que apenas estudam não chegam a formar 25% do total.
A funcionária pública Neide Gouveia faz parte destas estatísticas. Em uma turma de 60 matriculados no início do curso, os homens já eram escassos. Prestes a iniciar o terceiro período da Licenciatura em Turismo pelo Cederj, a estudante de 45 anos concilia a jornada de trabalho durante o dia no Rio com os livros e cadernos em casa no período noturno.
“Eu estava entediada com aquela rotina de ir da casa do trabalho e vice-versa. Me inspirei no meu marido, que faz História na Uerj de São Gonçalo, para voltar a estudar também. Me sinto mais útil e ativa”, avalia.
Neide tem aulas facultativas de tutoria em dias específicos no Ciep Rosendo Rica Marcos, no Gradim, que funciona como polo da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), responsável por ministrar o curso. O encontro serve para tirar dúvidas do material que os alunos devem estudar em casa. Para Neide, o modelo é uma boa opção para quem está há muito tempo longe da sala de aula.
“Confesso que não sou uma aluna a distância muito disciplinada”, brinca. “No início eu chegava do trabalho cansada, começava a fazer outras coisas e acabava acumulando conteúdo e avaliações, mas aos poucos você se acostuma à metodologia e comprova as vantagens do modelo”, revela.
Segundo Neide, não ter a obrigação de ir à aula todos os dias proporciona uma melhor organização do próprio tempo e permite que pessoas de diferentes áreas integrem a mesma turma, como acontece na dela, que conta com profissionais desde a área da saúde até a de comunicação. Outro ponto positivo é poder contemplar a população afastada dos polos de ensino superior tradicionais.
“Tenho colegas do Engenho de Dentro, de Botafogo, de Maricá. Acaba alcançando muitas pessoas”, acrescenta.
Sem poder trabalhar com turismo por conta do emprego público, Neide traça os planos para depois da aposentadoria.
“Eu já havia cursado um tecnólogo na área, mas era algo bem mais voltado para o mercado. A licenciatura, por ter um enfoque que valoriza as disciplinas teóricas, permite pensar mais. E isso me fez questionar o que eu poderia fazer pela minha cidade nesta área, como promover eventos na Praia das Pedrinhas ou defender a presevação da Fazenda Colubandê. O curso impulsiona um desejo de compartilhar conhecimento”, elogia.
Cederj - A região oferece 17 cursos distribuídos por Niterói, São Gonçalo e Rio Bonito. Administração (UFRRJ) e Pedagogia (Unirio) são os mais procurados, sendo que o primeiro é oferecido apenas em São Gonçalo, e o segundo nos outros dois municípios. A seleção através de vestibular é realizada nos meses de abril e outubro.
Cursos do Cederj
Niterói:
Licenciatura em Geografia (Uerj)
Tecnologia em Gestão de Turismo (Cefet)
Licenciatura em Pedagogia (Unirio)
Segurança Pública (UFF)
Computação (UFF)
São Gonçalo:
Administração (UFRRJ)
Engenharia de Produção (UFF)
Licenciatura em Ciências Biológicas (Uenf)
Licenciatura em Física (UFRJ)
Licenciatura em Matemática (Unirio)
Licenciatura em Química (UFRJ)
Licenciatura em Turismo (UFRRJ)
Computação (UFF)
Segurança Pública (UFF)
Rio Bonito:
Licenciatura em Matemática (UFF)
Licenciatura em Pedagogia (Unirio)
Computação (UFF)
Número de matriculados segue em crescimento
Cada vez mais consolidado entre a preferência dos estudantes, o ensino a distância tem sido mais procurado por quem deseja assegurar uma formação superior.
O interesse reflete em aumento do investimento das escolas na modalidade. De acordo com o Censo EaD, 55% das instituições afirmaram que as matrículas no ano de 2014 cresceram em relação a 2013.
Quem confirma os dados é o gerente da Educação a Distância da Universidade Salgado de Oliveira (Universo), campus de Niterói, Bruno Ferreira, que acrescenta: o público mais jovem, que ainda não têm ensino superior, está cada vez mais interessado no EaD, que dá a opção de conciliar as jornada escolar com a de trabalho.
“Estas são as duas tendências que temos verificado. A previsão é que haja crescimento da procura já após estes últimos resultados do Enem”, avaliou.