'Seda de Favela': marca de produtos de tabacaria promove representatividade para comunidades do Rio
Idealizada por Leandro Ribeiro, a 'Seda de Favela' surgiu no mercado há pouco mais de um ano; conheça sua história!

Cultivar o sentimento de pertencimento dos moradores de favelas do Rio de Janeiro e fomentar a criação e o empreendedorismo dentro destas comunidades. Esta é simples, porém ambiciosa ideia do jovem empresário Leandro Guimarães de Souza Ribeiro, de 32 anos, que criou a 'Seda de Favela', uma empresa que viu na tabacaria uma forma de difundir com mais abrangência a visão da marca, de gerar orgulho em quem vive o dia a dia nas periferias.
Com suas camisetas de algodão e cânhamo, sedas de matéria prima europeia, tabaco orgânico, copos e piteiras, a Seda de Favela tem também como objetivo representar e evidenciar as comunidades e mostrar que seus moradores podem ter orgulho de onde moram, além de retratar que suas rotinas não são compostas apenas por violência.
"A Seda de Favela não é para ser resumida a apenas uma empresa de produtos de tabacaria, os produtos que vendemos são os meios para trazer representatividade para o público que mora em comunidades, por isso que nossas sedas tem algumas frases motivacionais e de inspiração, tipo "A favela venceu", "A riqueza é nossa mente", "Sou da Chumbada, nasci pra subir" e outras mensagens", diz o fundador Leandro, que soube aproveitar a ideia enquanto passava por um controverso momento em sua vida.

Preso em 2018 por praticar alguns assaltos, Leandro passou quatro anos encarcerado e foi lá onde decidiu que não permaneceria mais no caminho da criminalidade, e sim transformar seu erro em aprendizado.
“A marca foi criada com um propósito maior, criei por amor, por resgate da minha vida, que eu tava no fundo do poço, sem perspectiva nenhuma de vida, aí eu vi uma oportunidade de expressar arte nas favelas, tento mostrar a favela de outra forma, mostrar a cultura marginalizada e segregada das comunidades. A pessoa não compra só o produto, compra a história da marca”, afirmou.
Apesar de ainda ter pouco mais de um ano de existência, a Seda de Favela já conseguiu bons feitos durante esse curto tempo. A empresa conta agora com seis colaboradores e representantes em diferentes partes do Brasil e com seus produtos sendo vendidos também em outros países, como Portugal e Suíça.
Em março de 2022, a empresa foi uma das selecionadas para participar da Expo Favela, uma feira de negócios que reúne empreendedores e startups de comunidades com o objetivo de dar visibilidade para suas iniciativas e promover encontros entre os microempreendedores e investidores.
Leandro e a sua Seda de Favela também fazem parcerias com projetos sociais, direcionando 10% dos lucros líquidos da empresa, ajudando a levar alimento, arte e esporte para as comunidades.
"A responsabilidade social da nossa empresa tem como foco principal mudar a visão das crianças e adolescentes, que muitas vezes acabam vendendo seu corpo, sua liberdade e até a própria vida. Nosso objetivo é mudar o conceito da sociedade em relação às favelas, colaborando e somando para construir um futuro melhor, sempre trabalhando focados e direcionados a mudar toda essa realidade", diz o site da empresa.
Mercado de tabacaria
Apesar das campanhas antitabagismo, o mercado se mantém em crescimento nos últimos anos de surgimento e investimento de “head shops". Só na cidade de São Paulo, mesmo com a pandemia, foram abertas mais de 1.600 tabacarias em 2020. O comércio de acessórios utilizados para o fumo é legalizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Acessórios do mercado de tabagismo não podem ser vendidos para menores de dezoito anos, como determinado pelo Senado Federal em fevereiro de 2020.