Adolescente aguarda por cirurgia para conseguir voltar a andar
Aos 14 anos, Breno foi diagnosticado com encurtamento do tendão de Aquiles e precisa passar por cirurgia

O adolescente Breno Santos, de 14 anos, há quatro anos tem enfrentado uma condição que faz com que não consiga andar com as solas dos pés apoiadas no chão. Devido ao encurtamento do tendão de Aquiles, Breno passou por avaliação médica e agora aguarda na fila por uma cirurgia.
Morador do bairro Trindade, em São Gonçalo, o menino já foi atendido por médicos na rede pública de saúde do município e por profissionais do Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap), em Niterói. Em São Gonçalo, a família conta que procurou atendimento há cerca de dois anos, já em Niterói a procura por ajuda médica aconteceu há quatro anos.
Apesar de o pai já ter em mãos o papel que encaminha Breno para o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), ele afirma que ainda não recebeu a senha ou telefonemas com informações sobre a realização da cirurgia.
Enquanto isso, Breno sonha com a operação que pode fazer com que volte a ter condições de praticar uma das coisas que mais ama na vida: jogar futebol.

"A cirurgia vai melhorar muito a minha vida. Vou voltar a usar os calçados que eu quero, porque agora eu só consigo usar chinelo. Vou voltar a andar direito, ir para lugares mais longe sem precisar me preocupar com dor. Também vou voltar a fazer esportes., algo que eu sou apaixonado", diz o adolescente que sonha em um dia ser jogador de basquete, como os ídolos LeBron James e Michael Jordan.
O pai de Breno conta que o filho não consegue ficar em pé por muito tempo. Às vezes, é necessário pedir uma bicicleta emprestada ou solicitar um carro por aplicativo para que o adolescente possa se locomover, já que andar por alguns minutos faz com que sinta fortes dores.
"Agora, ele começou a querer brincar de futebol no colégio. Ele brinca sendo o goleiro. Aí meia hora depois de chegar em casa, ele fica cheio de dor. Precisa colocar gelo no local para tentar aliviar", conta o autônomo David Santos, de 37 anos, pai do jovem.
Antes da sua condição vir à tona, Breno jogava futebol em outras posições, como atacante ou zagueiro, mas agora, por não conseguir ficar correndo e muito tempo fazendo esforço, só consegue jogar como goleiro.
"É muito chato passar por isso. Quando eu era pequeno, eu podia fazer várias coisas. Agora que eu cresci, está sendo muito difícil fazer coisas comuns," desabafa o adolescente.
De acordo com o ortopedista e traumatologista Ricardo Cardenuto Ferreira, o encurtamento do tendão de Aquiles varia de intensidade. Nos casos mais graves, pode produzir deformidade rígida conhecida como 'pé equino', em que a pessoa caminha apoiando somente a ponta dos dedos no solo. Já em situações menos graves a pessoa tem dificuldade para dorsifletir o tornozelo e caminhar apoiando apenas nos calcanhares.
Breno necessita fazer uma cirurgia de alongamento do tendão de Aquiles, que não só ajudaria na correção do andar e da posição dos pés, mas também auxiliaria com as dores da coluna que o adolescente sente, já que atualmente ele sofre com desvios (escoliose) e defeitos de postura.
A reportagem de O SÃO GONÇALO entrou em contato com os órgãos citados pela família para entender a atual situação do adolescente no serviço público de saúde.
O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO) informou que, até o momento, não possui prontuário do paciente, o que significa que ainda não foi dada oficialmente a entrada do menino na instituição.
Já a Secretaria Estadual de Saúde informou que não encontrou o nome de Breno no Sistema Estadual de Regulação (SER), algo que é obrigatório para o atendimento de primeira vez para pacientes que necessitem de cirurgia ortopédica no INTO.
O Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap), um dos primeiro lugares que o pai de Breno procurou por atendimento médico, informou, por meio de nota, que está tentando contato com os responsáveis, por meio dos telefones informados no prontuário, para que seja feita uma nova avaliação do paciente na terça-feira (23/8), às 9h, no ambulatório de Ortopedia.
"O HUAP esclarece, ainda, que alguns procedimentos cirúrgicos foram suspensos devido à pandemia, e estão retomando gradativamente. A unidade hospitalar seguirá tentando contato para que o paciente retorne na data agendada", conclui.
A Secretaria Municipal de Saúde de São Gonçalo, por meio da assessoria da comunicação da prefeitura, também foi contatada e não enviou resposta.