Polícia vai averiguar se maus-tratos causaram mortes em casa de repouso interditada
Dona da clínica é ré por maus tratos desde abril deste ano e estabelecimento tinha alvará vencido desde 2015

A Polícia Civil vai averiguar se maus-tratos causaram as mortes que ocorreram na Casa de Repouso Laço de Ouro, em Guaratiba, Zona Oeste do Rio, que tinha um alvará vencido desde 2015. O local foi interditado pela polícia, neste domingo (7), após estagiários da clínica denunciarem que idosos eram mal cuidados e passavam fome.
Os agentes da 35ª DP (Campo Grande) foram investigar os relatos no estabelecimento e ao chegar encontraram o local e os idosos em péssimo estado, inclusive descobriram que alguns estavam passando fome.
No total, 29 idosos foram recolhidos da clínica de repouso. Após avaliação médica, 20 voltaram para casa com seus familiares, três foram levados ao hospital para receberem cuidados e seis foram encaminhados para abrigos públicos da Prefeitura do Rio.
Uma estagiária, de 44 anos, se formou cuidadora de idosos recentemente e teve como primeiro dia de estágio na clínica Laço de Ouro o sábado (6). Depois de algumas horas na casa já resolveu procurar a polícia para denunciar os maus-tratos que eram cometidos no local.
Outro técnico de enfermagem, que trabalhava na Casa de Repouso Laço de Ouro há quatro meses, disse que ele e um colega de trabalho estavam reunindo provas para denunciar a clínica às autoridades. Ele diz não ter ficado surpreso com a interdição pela polícia e relatou que os idosos ficavam com fome e que chegou a presenciar quatro óbitos de pacientes mal cuidados.
Duas pessoas foram presas em flagrante autuados pelos crimes de tortura, sequestro e cárcere privado e maus-tratos contra idoso: a dona da clínica de repouso, Vanessa da Silva Ferro, e um funcionário, Manoel Alves Paulino. Um técnico de enfermagem chegou a ser detido, mas foi liberado após prestar depoimento.
Vanessa da Silva Ferro Souza, dona da Laço de Ouro, é ré por maus tratos desde abril de 2022. O local já recebeu três multas da Vigilância Sanitária e foi interditado parcialmente duas vezes nos últimos cinco anos. A última autuação é de maio deste ano.