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Menino de 11 anos liga para a polícia pedindo comida

Segundo a polícia, a mãe e os filhos estavam há três dias vivendo de água e fubá

relogio min de leitura | Redação 04 de agosto de 2022 - 10:43
Caso comoveu os policiais, que se mobilizaram para comprar comida para a família
Caso comoveu os policiais, que se mobilizaram para comprar comida para a família -

Agentes da Polícia Militar na cidade de Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte, foram surpreendidos com uma ligação para o 190 na noite de terça-feira (2). Do outro lado da linha, uma criança de 11 anos dizia estar "passando fome" com os irmãos e a mãe. 

Uma equipe do 35º Batalhão da Polícia Militar foi enviado à residência, pois os policiais acreditaram que era um caso de maus-tratos. Porém, chegando no local, os policiais constataram que as crianças estavam bem, mas não tinham comida em casa.

"Eles estavam há três dias se alimentando somente com água e fubá", disse ao GLOBO o tenente Nilmar Moreira, responsável pelo envio da guarnição ao local. "Os militares foram até um mercado e iam comprar alimentos com o dinheiro do próprio bolso, mas o gerente do estabelecimento ficou comovido e doou uma cesta básica".

A mãe das crianças, identificada como Célia Arquimino, de 46 anos, disse que aos policiais que não sabia que o filho tinha ligado para o 190 pedindo ajuda. Segundo o relatório da PM, ela informou que está desempregada e é  "beneficiária do Bolsa Família".

A mãe tem sustentado a casa com alguns 'bicos' esporádicos e a ajuda de pessoas próximas, mas o dinheiro não tem sido suficiente para manter a casa.

"Eu vivo com o auxílio emergencial e o pai (das crianças) manda R$ 250, mas não é todo mês (que recebo)", contou Célia à TV Globo. "Tudo tinha acabado há mais de 20 dias, mas ainda tinha um pouquinho de arroz e algumas coisas. Só que, há três dias, só tinha fubá e farinha", completou.

Célia vive com os cinco filhos e, de acordo com o relatório da PM, não há sinais de descasos ou maus-tratos contra as crianças. Ainda de acordo com o relatório, a casa da família foi descrita como "limpa e organizada", apesar de aparentar ser humilde. 

O tenente Moreira disse que, em 24 anos de profissão, nunca havia recebido uma ligação do tipo. 

"Essa foi a primeira vez que recebemos uma ocorrência assim. Em 24 anos, nunca recebi um chamado desse, e não me recordo, nos seis anos em que trabalho neste batalhão, de ter visto um caso parecido. Acredito que a crise econômica tenha afetado as pessoas menos favorecidas e, vendo o desespero da mãe, aos prantos, só restou a ele pedir ajuda", afirmou.

A família se emocionou com a doação da cesta básica. Agora, o batalhão busca mobilizar pessoas que tenham interesse em ajudar e se colocou à disposição para receber outras doações. Porém, mesmo recebendo ligações de moradores, nenhuma ajuda foi entregue no local ainda.

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