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Sérgio Macaco: Gasômetro, onde Flamengo quer estádio deveria homenagear capitão da Aeronáutica

Graças a ato heróico de militar da Força Aérea Brasileira, uma tragédia, planejada com objetivos políticos, não se consumou em plena ditadura militar

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 26 de julho de 2022 - 18:34
Capitão Sérgio Ribeiro se recusou a cumprir ordens superiores e evitou uma tragédia
Capitão Sérgio Ribeiro se recusou a cumprir ordens superiores e evitou uma tragédia -

O prefeito Eduardo Paes (PSD) ao dar aval para que o presidente do  Flamengo, Rodolfo Landim, negocie com a Caixa Econômica, vulgo Governo Bolsonaro, para que o clube mais popular do Brasil construa seu estádio na área do antigo gasômetro (na descida da Ponte Rio-Niterói), dá um duro golpe na memória daqueles que sofreram com os 20 anos de ditadura militar que deixaram centenas de mortes, até hoje sem solução, e exaltadas pelo atual presidente do país.

É que ali nessa área do chamado gasômetro foi evitada uma das maiores tragédias do país, quando um oficial da Aeronáutica, o capitão Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho, o Capitão Sérgio Macaco, um militar da Força Aérea Brasileira (FAB), integrante do esquadrão paraquedista de resgate Para-Sar (“para” de paraquedista e “sar” de “search and rescue”, busca e salvamento),  se recusou a cumprir ordens do brigadeiro João Paulo Moreira Burnier, que tinha o plano de explodir o gasômetro do Rio de Janeiro, dinamitar uma represa e jogar 40 líderes políticos no oceano para depois pôr a culpa na esquerda. 

No local, existia um  gasômetro e gesto de militar evitou perdas de vidas em plena ditadura
No local, existia um gasômetro e gesto de militar evitou perdas de vidas em plena ditadura |  Foto: Divulgação
  

Na lista dos alvos, estavam Carlos Lacerda, Juscelino Kubitschek, dom Hélder Câmara e o líder estudantil Vladimir Palmeira. O plano teria sido proposto por Burnier, no dia 12 de junho de 1968, no local onde funcionava o Ministério da Aeronáutica, no Rio de Janeiro. De acordo com estimativas, cerca de 100 mil pessoas morreriam caso o plano fosse levado a cabo. Sérgio, à época com 37 anos, já tinha 6 mil horas de voo e 900 saltos em missões humanitárias, de resgate e socorro em geral, além de quatro medalhas por bravura.

Por conta de sua denúncia, Sérgio foi cassado pelo Ato Institucional AI-5, em 1969. Apesar de ter sido declarado louco e afastado da carreira, mais tarde o brigadeiro Eduardo Gomes confirmou a existência do plano. Em 1992, o Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu que ele devia ser promovido a brigadeiro, posto que teria alcançado se tivesse permanecido na Aeronáutica, mas morreu sem ver a sentença cumprida, já que morreu de câncer de estômago, em 1994.

Flamengo quer área para construir novo estádio
Flamengo quer área para construir novo estádio |  Foto: Divulgação
  

Três anos depois, sua família foi indenizada pelo governo com o valor relativo às vantagens e soldos que ele deixou de receber entre os anos de 1969 e 1994. Sérgio, conhecido pelos indígenas como “nambiguá caraíba” (homem branco amigo), era admirado pelos irmãos Villas-Boas, pelo médico Noel Nutels e pelo antropólogo Darcy Ribeiro.

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