Resgate da memória em São Gonçalo
Centro da Imigração promove exposição de fotos antigas na Ilha das Flores, em Neves

O refeitório da hospedaria retrata o grande número de imigrantes que passaram pelo local
Foto: DivulgaçãoPor Marcela Freitas
Em comemoração à Semana Nacional de Museus, o Centro de Memórias da Imigração de Imigrantes da Ilha das Flores, localizado no espaço que hoje abriga a Base Naval da Ilha das Flores, às margens da BR-101, na altura de Neves, São Gonçalo, terá uma programação especial. O local é um marco histórico na imigração e migração do Brasil. Mas apesar de toda sua importância para construção da história de nossa região, ainda é desconhecido por parte do grande público. Buscando o resgate dessas memórias, a equipe do Centro de Memória da Imigração da Ilha das Flores montou uma programação especial no próximo sábado (23).

Durante visita ao Centro de Memória de Imigração, serão expostas 18 fotografias de seus ex-funcionários que guardam memórias dos 1930 a 60. Além da viagem ao tempo através da recordação fotográfica, o visitante poderá também conversar com ex-imigrantes e ex-funcionários da hospedaria que participarão do evento. Ainda estão programados um bate-papo com o tema: “A hospedaria da Ilha das Flores na Era Vargas”.
De acordo com o professor de História da Faculdade da Formação de Professores (FFP) da Uerj e coordenador do Centro de Memória de Imigração, Luis Reznik, as hospedarias de imigrantes começaram a ser estudadas há cerca de cinco anos.
“Em 2010 foi feito um convênio de parceria entre Uerj e Marinha do Brasil que acabou de ser restabelecido. Dois anos depois, em novembro de 2012, foi inaugurado museu que chamamos de Museu a Céu Aberto. O mais interessante lá são as suas construções muito similares do que eram há 100 anos, como os alojamentos a caixa d’água enorme e a paisagem natural que é onde os imigrantes chegavam e desembarcavam. Tudo é muito legal e isso é o que tem de mais fundamental”, explicou o professor.

O Centro de Memória da Imigração da Ilha das Flores foi criado para disponibilizar materiais de memória e um conjunto de reflexões sobre a história da imigração no Brasil. Em 2013, foram contabilizados 400 visitantes ao local, já em 2014 foram 1,5 mil. A expectativa é que esse quantitativo de visitantes seja bem maior este ano.
“A Marinha nos cedeu uma casa e estamos organizando para fazer uma exposição lá dentro. Esse vai ser o único Museu de Imigração do Rio de Janeiro. Mas enquanto isso não acontece, resolvemos organizar uma exposição temporária com foto de coleções de ex-funcionários e depoimentos de filhos de ex-moradores e funcionários da hospedaria”, ressaltou Reznik.
As visitas ao Centro de Memória de Imigração são gratuitas e devem ser agendadas no site www.hospedariailhadasflores.com.br. Já a exposição “Os moradores, suas fotos e memórias, que acontece no dia 23, é um dia especial e não será necessário agendamento prévio. A visitação à exposição acontece das 9h às 17h.