Pipeiros protestam por interrupção do abastecimento de água no Jardim Catarina
Eles lutam desde novembro pela regularização

Há 30 anos a renda de 130 famílias jorra de canos que realizavam o abastecimento de água para caminhões pipa, no Jardim Catarina. Ao contrário que muitos pensam, o local não era clandestino, e os pipeiros pagavam pela água que recebiam. Mas isso mudou, e desde o último novembro eles lutam para regularizar a situação.
Na última semana, a empresa Águas do Rio, atual responsável pela concessão, foi ao local e acusou os profissionais de estarem furtando água.

"Eles chegaram e apontaram os pais de família como bandidos. A gente sempre pagou pelo que usávamos. Na época da Cedae, no últimos 15 anos, tinha um funcionário deles aqui e a gente pagava pelo abastecimento. Mas agora eles não querer cobrar e não querem deixar a gente trabalhar", desabafou Delpret Marinho de Assis, conhecido como Dudu, de 64 anos.
Na manhã desta segunda-feira (18), os pipeiros se reuniram e pediram ajuda no caso. Segundo eles, enquanto "fechavam" o local, na última semana, funcionários da Águas do Rio informaram que a empresa tem projeto de abrir outro ponto de abastecimento, em Santa Luzia. Contudo, não há data para acontecer.
"Eles dizem que vão construir. Mas até lá como se alimenta mais de 130 famílias? O que a gente pede é que eles reabram aqui, coloquem um funcionário pra nós cobrar um valor justo e deixar a gente trabalhar. Depois, se eles tiverem construído algo, a gente troca de lugar. O que não podemos é ficar sem trabalhar", concluiu Dudu, que trabalha no local há 30 anos.

Assim como Dudu, Tânia Regina Rodrigues, de 59 anos, trabalha junto com o marido há três décadas no mesmo local. Com a renda familiar vindo exclusivamente do ponto de pipa, Tânia tem precisado fazer bicos para levar algum dinheiro para dentro de casa.
"A gente só quer trabalhar só quer trabalhar pagando um valor justo e tendo dignidade", finalizou a profissional.
Os pipeiros pedem que responsável pela empresa Águas do Rio os recebam para, juntos, chegarem num acordo de trabalho justo, digno e com respeito.