Moradora que presenciou caso de racismo vai testemunhar a favor de porteiro
Caso ocorreu na portaria de um prédio em Copacabana no dia 26 de junho

Uma moradora que estava passando pela portaria do edifício em Copacabana, na Zona Sul do Rio, onde o porteiro Reginaldo Silva de Lima foi alvo de ofensas racistas e ameaças pelo francês Gilles David Teboul, no último dia 26, afirmou que vai testemunhar a favor do funcionário.
“Eu presenciei o morador dando um tapa no seu Reginaldo, no porteiro. E continuou falando: 'Você é incompetente, você é um preto macaco fedorento, não tem capacidade nem de ser porteiro'. E o seu Reginaldo falando: 'Eu vou para a delegacia.’”, contou ela.
Reginaldo explica que estava atendendo outra pessoa quando Gilles, que também é morador do prédio, passou pelo hall de entrada e notou a porta do elevador de serviço aberta. “Ele voltou e falou: 'Seu incompetente. Você não está vendo que a porta do elevador está aberta? Você não tem capacidade para fazer essa função. Seu negro!’”, relatou.
As câmeras de segurança do prédio flagraram o momento em que Gilles enforca o funcionário com as duas mãos. O francês também teria desferido socos e pontapés contra Reginaldo e ameaçado matar o porteiro caso ele denunciasse o crime. A violência teria continuado mesmo após a chegada da polícia.
“Ele chegou já empurrando meu pescoço e me humilhou. Fisicamente, me deu um soco, pontapés e começou a me xingar. Falou que eu era um vagabundo, um negro, que ele tinha dinheiro e que se eu ligasse, se denunciasse, ele que ia me matar. Falei: ‘O senhor pode fazer o que o senhor quiser, mas eu vou denunciar, sim.’”.
“Ele olhou para mim e falou: ‘Eu vou te matar’. Na frente do policial. Ainda falei para o policial: ‘Ele está me ameaçando’. E o policial falou: ‘Pode deixar’. Tenho certeza que está tudo gravado na câmera do policial.”, concluiu Reginaldo.
A Polícia Militar afirmou que conduziu os envolvidos à delegacia e que a apuração dos fatos ficará a cargo das investigações. A ocorrência foi registrada como injúria racial e ameaça na 12ª DP (Copacabana). Gilles negou as ofensas racistas e disse que não xingou o porteiro.