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Servidores da Funai declaram greve e pedem mais segurança no Vale do Javari

Indigenistas exigem ainda que o presidente da Fundação se retrate pelas declarações dadas contra Bruno Pereira e Dom Phillips, desaparecidos desde o último dia cinco

relogio min de leitura | Redação 14 de junho de 2022 - 11:16
Dom Phillips (esquerda) e Bruno Pereira (direita)
Dom Phillips (esquerda) e Bruno Pereira (direita) -

Os servidores da Fundação Nacional do Índio realizam uma paralisação de 24h a partir das 9h desta terça-feira (14). A decisão foi tomada durante assembleia promovida na tarde desta segunda (13). Os funcionários da Funai reivindicam que o presidente da instituição, o delegado da Polícia Federal Marcelo Xavier, retire as declarações feitas contra o indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips, desaparecidos na Região do Vale do Javari, extremo oeste do Amazonas, desde o último dia cinco.

A greve foi declarada pelas principais entidades representantes de servidores da Funai, a Indigenistas Associados (INA), a Associação Nacional dos Servidores da Funai (Ansef), o Sindicato dos Servidores Públicos do Distrito Federal (Sindsep) e a Confederação dos Trabalhadores no serviço Público Federal (Condsef).

Além da retratação de Marcelo Xavier, os indigenistas exigem ainda que o governo federal garanta a segurança de seus servidores e reforce as bases remotas da Funai em comunidades indígenas na região do Vale do Javari com o envio de uma força-tarefa e agentes de segurança para o local.

Nos últimos dias, o presidente da Funai, passou a afirmar que Bruno Pereira e Dom Phillips não possuíam as autorizações necessárias para adentrar territórios indígenas como os da região do Vale do Javari, em entrevistas a veículos de imprensa. Contudo, servidores da instituição sustentam que o indigenista pediu autorização à Coordenação Regional da Funai, seguindo todas as diretrizes do órgão.

"No caso do indigenista, foi emitida autorização em âmbito regional para que ele ingressasse em terra indígena, com vencimento em 31/05/2022, sem o conhecimento dos setores competentes na Sede da Funai, em Brasília, o que será apurado internamente.", disse a Funai por meio de nota oficial publicada na última sexta-feira (10).

Para evitar a paralisação, os servidores da Funai exigem que Marcelo Xavier admita “os equívocos de falsas argumentações sem nenhum embasamento legal dentro da política indigenista brasileira" e se retrate publicamente "pela difamação e pelas inverdades presentes em suas declarações acerca do caso de desaparecimento de Bruno Pereira e Dom Phillips."

Os indigenistas ressaltam ainda que, passada mais de uma semana desde o ocorrido, nenhuma medida foi tomada para garantir a segurança dos servidores da Funai que atuam nas bases da região do Vale do Javari. "Se passaram mais de uma semana desde o desaparecimento do servidor Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips e tais medidas urgentes não foram sequer iniciadas.", destacou um trecho da nota.

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