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São Gonçalo inova em parto com intérprete de Libras

Deficiente auditiva recebe acompanhamento na maternidade municipal

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 02 de maio de 2022 - 22:30
O primeiro parto com intérprete de libras foi realizado na última semana
O primeiro parto com intérprete de libras foi realizado na última semana -

Com um trabalho cada vez mais humanizado e de inclusão, as grávidas deficientes auditivas poderão solicitar intérprete de Libras nos partos realizados na Maternidade Municipal Mário Niajar, em Alcântara. A iniciativa dos profissionais do Centro Especializado em Reabilitação (CER III), em Neves, ainda dará novos frutos e ajudará outros deficientes que precisarem de atendimentos na rede municipal de saúde da cidade. O primeiro parto com intérprete de libras foi realizado na última semana, com Jéssica da Costa Vicente, de 32 anos, que deu à luz ao seu quarto filho e realizou a ligadura de trompas.

“Meus últimos dois partos foram sem intérprete, tive que levar tudo escrito e não tive como saber o que estava acontecendo durante a internação e cirurgia, além deles não entenderem o que eu perguntava e precisava. No terceiro filho, eu já queria fazer a ligadura, mas as pessoas não entendiam o meu pedido. Eu leio pouca coisa e, com o uso da máscara, piorou porque não tenho como fazer a leitura labial. Hoje, estou muito feliz, agradecendo a Deus por fazer o parto e a ligadura com intérprete. Fico muito mais tranquilo”, disse Jéssica, em libras, interpretada por Raquel Gonçalves Varella, 20, do CER III-Neves.

Para chegar à maternidade com intérprete, Jéssica procurou apoio no CER III. A intérprete acompanhou parte do pré-natal e conseguiu, através da unidade de saúde, os encaminhamentos necessários para a cesariana e para a ligadura de trompas. As outras mães deficientes auditivas que tiverem interesse de ter o parto com o intérprete podem procurar o espaço. O local tem uma profissional que atende, semanalmente, podendo agendar acompanhamento para o dia do parto.

Trabalhando no CER III desde janeiro deste ano, Raquel se identificou com o trabalho desde a infância. “É muito bom poder ajudar as pessoas, facilitar o acesso delas aos serviços, orientar. Imagina você não conseguir se comunicar com o outro? É angustiante. O meu coração está todo voltado para isso. É muito bom estar aqui hoje ajudando a Jéssica e espero poder ajudar tantos outros deficientes auditivos que procurarem o CER”, disse a intérprete, que acompanhou Jéssica da entrada na recepção até a chegada à enfermaria após as cirurgias.

Durante o parto, um dos momentos mais emocionantes foi quando Raquel interpretou que o bebê estava nascendo e que ele já estava chorando. “Ela estava ali sem ver e sem ouvir o que estava acontecendo. Quando falei para ela que ele tinha nascido e estava chorando, estava bem, ela se emocionou e também chorou. É muito gratificante poder passar isso para ela”, concluiu Raquel, que acompanhou Jéssica para a realização dos exames do pezinho, orelhinha, linguinha e retirada da certidão de nascimento, identidade e CPF do bebê Pietro, tudo dentro da própria maternidade.  

Novo serviço – Outro projeto que será colocado em prática para os deficientes auditivos da cidade na área da saúde é o atendimento em libras nas unidades da Atenção Especializada. Através de um telefone, que ainda será disponibilizado, os deficientes auditivos poderão se comunicar com a intérprete de libras por chamada de vídeo, expondo as suas necessidades de atendimentos nas unidades de saúde. 

Pela chamada, que será realizada por um profissional de saúde quando algum deficiente auditivo procurar as unidades de saúde para agendamentos e atendimentos, a intérprete de libras indicará para o profissional o que o deficiente necessita e, assim, conseguir ter acesso aos serviços. 

“Começaremos com a atenção especializada, mas a intenção é atender toda a rede de saúde. Aos poucos, vamos ampliando os atendimentos para a rede de atenção básica e hospitalar. O importante é conseguir atender esse deficiente que, muitas vezes, deixa de procurar assistência por não conseguir ser entendido”, explicou o responsável técnico do CER III, Dr. Pedro D’Avila Lima.

É bom salientar que o espaço não oferece tratamento para os deficientes auditivos, com exceção daqueles que também têm algum problema de mobilidade e que necessitem de serviços de reabilitação.  

O coordenador da Rede de Cuidados à Saúde da Pessoa com Deficiência, Dr. Raphael Caetano, reitera que a humanização dos serviços, principalmente para os deficientes, é o princípio básico da rede especializada de saúde. “Um dos princípios da unidade especializada em atendimento aos indivíduos com deficiência é a humanização, integralidade no acompanhamento e qualidade de vida aos seus usuários, o que de fato torna uma unidade de excelência e de referência na região”, finalizou.

Regulação – Todas as consultas para as unidades de saúde da rede pública de São Gonçalo são marcadas através da Central de Regulação da Semsa. Para marcar, o gonçalense pode procurar qualquer unidade de saúde da rede municipal, independente se será atendido naquele local. As unidades inserem os pacientes no sistema da Central de Regulação, que vai entrar em contato – através do telefone – para avisar sobre a marcação do serviço, que será agendado em local que for mais próximo de sua residência. Por isso, é muito importante que os pacientes mantenham um telefone que funcione e esteja atualizado no cadastro. O contato e endereço do morador também podem ser atualizados em qualquer unidade de saúde.

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