Alemanha pede ajuda ao Brasil para doar blindados à Ucrânia

Tanques foram adquiridos pelo Brasil para proteção de grandes eventos

Escrito por Redação 28/04/2022 19:48, atualizado em 28/04/2022 19:48
Modelo deixou de operar em 1970 e tem um problema grave com a falta de munição
Modelo deixou de operar em 1970 e tem um problema grave com a falta de munição . Foto: Divulgação

A Alemanha pediu a ajuda do Brasil para permitir a entrega de tanques antiaéreos a Kiev para se defender contra a Rússia. Uma semana antes da Rússia invadir a Ucrânia, em fevereiro, Jair Bolsonaro ofereceu solidariedade à Vladimir Putin. 

Segundo a Folha de S. Paulo, algumas pessoas com conhecimento do assunto disseram que o Exército brasileiro havia procurado a Alemanha para revender os blindados que havia comprado do país em 2013 e 2014 para a segurança de grandes eventos, como a Copa das Confederações, a Jornada Mundial da Juventude, com o Papa Francisco e a Copa do Mundo de 2014. No entanto, o Brasil não teve sucesso na negociação e chegou a oferecer alguns dos 34 Gepard versão 1A2 para o Qatar para usar na proteção aos estádios da Copa, que acontecerá em novembro.

Os alemães teriam voltado a sondar o governo brasileiro. A intenção não chegou de forma oficial ao Exército, que opera os blindados. Apesar do silêncio, já é de se esperar que o governo Bolsonaro não prossiga com a negociação tendo em vista a posição de neutralidade que assumiu diante da guerra.

A visita de Bolsonaro à Rússia às vésperas da guerra gerou mal-estar interno e em relação aos EUA, e o Brasil também condenou à invasão, mas também as sanções impostas à Rússia ao votar sobre o tema na ONU, o que aumenta a posição de neutralidade do país. O Brasil também ficou fora da lista de países adversários de Moscou por não aderir à lista de países que aplicaram punições à Rússia.

Apenas três países operam o modelo do veículo - Brasil, Jordânia e Romênia, sendo o último um país membro da OTAN -. A situação tem sido complicada para a Alemanha, que tem resistido a enviar material mais pesado para Kiev, já que o país é dependente do gás e petróleo da Rússia, que segue abastecendo o país apesar das sanções.

Nesta semana, a Rússia anunciou que vai cortar o gás natural para a Polônia e Bulgária, alegando que os países não estavam pagando na moeda russa. A Alemanha apareceu em relatos como um dos países dispostos a pagar pelo produto em rublos, moeda russa, em uma conta do banco Gazprom, na Suíça, assim como Putin exigiu para valorizar sua divisa nacional.

A KMW, que produz os tanques, tem 50 modelos guardados em estoque, mas somente 23 mil cartuchos de 35 mm usados pelos canhões do tanque contra alvos aéreos em baixa altitude. O tanque tem uma cadência de 1.100 tiros por minuto, o que dá pouco mais de 20 minutos de operação por blindado.

O governo suíço complicou ainda mais a situação da Alemanha ao afirmar que não permitiria a exportação da munição em poder dela. Com isso, a Alemanha fica em uma difícil posição para conseguir as munições para os tanques. A Suíça, apesar de também aplicar sanções à Rússia, se mantem neutra na guerra. 

Os tanques modelo Gepard são o chassi de um antigo tanque Leopard-1 com uma torre com dois canhões. Ele é muito utilizado para defesa de ponto, como os estádios da Copa, ou para cobrir colunas de blindados em movimento.

O Brasil quer se livrar dos modelos por conta de sua obsolência e também pelo fato do país não ter uma defesa aérea coesa. Hoje, o país opera mísseis russos portáteis e esses canhões, insuficientes para deter ameaças mais sérias. Além do modelo ter parado de operar em 1970 e ter o problema da falta de munição.

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