Índice de Preços dos Supermercados (IPS) registra alta histórica; veja!

Grupo de alimentos básicos é o mais impactado

Escrito por Redação 24/04/2022 14:07, atualizado em 24/04/2022 14:08
Números foram divulgados pelo IPS
Números foram divulgados pelo IPS . Foto: Divulgação

Os consumidores já vêm percebendo que o prato está cada vez mais "salgado" com a alta dos preços dos produtos, principalmente nos itens básicos de alimentação. Acontece que não é apenas uma "sensação". O grupo de alimentos, de fato, foi mais impactado pela alta das commodities, registrando uma alta histórica no mês de março, de 2,64%. A informação é do Índice de Preços dos Supermercados (IPS), apurado pela APAS (Associação Paulista de Supermercados) em parceria com a Fipe. O IPS acumulado em 12 meses chegou a 15,22%.

O conflito entre Ucrânia e Rússia, a alta dos combustíveis, a desorganização das cadeias logísticas e a inflação generalizada no mundo pressionam os preços no Brasil e refletem na ponta do consumo, onde estão os supermercados e a população.

“A expectativa para o primeiro semestre deste ano é de instabilidade em muitos setores da economia, principalmente naqueles que são sensíveis aos preços internacionais das commodities. O processo de alta é generalizado. A desmobilização da cadeia de suprimentos no mundo produz inflação mundial no curto prazo, já que a realocação da cadeia produz elevação no custo logístico. A inflação nos Estados Unidos já chega a 7,8% e é a maior em 40 anos, na Zona do Euro a inflação fechou o mês de março em 7,5%. No Brasil não é diferente, o IPCA volta a ganhar força por conta da pressão internacional e acumula 10,54% nos últimos 12 meses. Novas projeções para a taxa de juros já chegam a 13% a.a. até o término de 2022. Portanto, nesse cenário inflacionário cabe aos supermercados negociar cada vez mais com os fornecedores e ao consumidor ampliar as buscar por alternativas de produtos que ainda não receberam todo o peso da inflação, como é o caso dos cortes suínos e seus derivados, por exemplo, que elevaram sua oferta interna por conta do rompimento da exportação para a Rússia”, explica Diego Pereira, economista da APAS

Alta das commodities

Desde 2020 o mercado sinaliza alta nos preços das principais commodities. O conflito entre Rússia e Ucrânia acelerou essa tendência. O relatório do Banco Central aponta que a escalada dos preços internacionais não dá sinas de serevm revertidos.

Industrializados

Outro fator que pesa na composição do preço são os custos de produção dos produtos alimentícios industrializados. O custo nos serviços de logística, de matérias-primas e da energia elétrica tiveram elevação de 16,09% em março.

Fatores climáticos também influenciaram na alta dos industrializados. A estiagem na região Sul reduziu a área de pasto, deteriorou a qualidade da forragem e da silagem, intensificando o efeito da entressafra. Em março, por exemplo, o leite inflacionou 7,80% e, no acumulado, 10,13%.

Proteínas animais

Os cortes suínos, na contramão das demais proteínas animais, apresentaram deflação (7,62%) pelo 12º mês seguido, beneficiados principalmente pelo aumento de produção (4,86%) em relação ao mesmo período de 2021. A tendência, segundo Diego Pereira, é de queda no primeiro semestre. “A guerra dificultou a exportação da nossa carne suína para a Rússia. Por isso, a oferta no mercado interno deverá continuar alta”, avalia o economista.

Os pescados foram impactados diretamente pelo aumento dos preços dos combustíveis para pesca selvagem e da ração para a piscicultura. Mesmo assim, essa cesta apresentou queda de 0,91% em março, apesar de aumentos pontuais, como a da pescada (4,33%). O setor enxerga com otimismo a venda de pescados nesta Páscoa. “A volta aos encontros presenciais incentiva as famílias a comemorar a data”, analisa Pereira.

Setor agrícola

Os hortifrutis (produtos in natura) tiveram inflação de 8,93% em março, com acumulado de 31,58% nos últimos 12 meses. Os preços foram puxados pelos legumes e verduras, que apresentaram aceleração de 18,75% e 13,77% em março, respectivamente.

O setor agrícola vem sofrendo forte pressão inflacionária causada principalmente pelo aumento dos combustíveis e pelas dificuldades da importação de fertilizantes. Os nitrogenados e fosfatados já apresentavam supervalorização desde o ano passado, tendência que se intensificou com a guerra, pois a Rússia era a principal exportadora de fertilizantes para o Brasil.

Bebidas

As bebidas alcoólicas registraram inflação de 0,35% em março e 5,17% no acumulado de 12 meses, com destaque para a cerveja, que subiu 0,24% por conta dos preços ajustados pela indústria. O setor conseguiu, até 2021, absorver a elevação dos fretes marítimos, mas agora começa a repassar os preços por conta das repetidas altas na cotação do barril de petróleo.

Já as bebidas não alcoólicas tiveram alta de 0,98% e de 9,77% no acumulado dos últimos 12 meses. Os refrigerantes foram o destaque, com aumento de 1,27% em março e 13,96% no acumulado dos 12 meses, acompanhando a subida dos preços internacionais do açúcar.

O que são as commodities

Em economia, commoditie é um termo que corresponde a produtos básicos globais não industrializados, ou seja, matérias-primas que não se diferem independente de quem as produziu ou de sua origem, sendo seu preço determinado de forma padrão pela oferta e procura internacional. 

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